sábado, 26 de maio de 2018

CELULARES

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EVANGELIZADOR NÃO MENTE!

25/09/2010- postado em 02/02/17)
Certo dia um confrade de Santo Tomás de Aquino o interrompeu de seu estudo gritando: “Frei Tomás! Venha ver um boi voando! Santo Tomás levantou-se e foi à janela ver o boi que voava. O seu colega, rindo, lhe disse: “Que ingenuidade, frei Tomás! O senhor sabe que bois não voam”! E Santo Tomás replicou com tristeza: “Pois eu preferiria ver um boi voando a ver um religioso mentir”!

É impensável a um evangelizador mentir, mesmo por brincadeira. Quando não der para falar a verdade, é melhor não dizer nada, ou simplesmente tornar pública a impossibilidade de se falar naquele assunto, mas nunca, nunca mentir.

Diz Jesus em Mt 5,37: “Seja teu falar sim, quando for sim; não, quando for não. Tudo o mais procede do maligno”.

Não é bem uma mentira, mas é incrível como no seminário, principalmente nos missionários, escondem a verdade das missões. Fazem teatrinhos mostrando coisas poéticas, melosas, e não mostram a realidade nua e crua das terras inóspitas que os coitados dos missionários vão enfrentar. Que haja, sim, um pouco de poesia, mas não se esconda a dificuldade da missão. Vai para as missões quem achar que é, realmente, sua vocação. Ninguém seja “enganado” nesse assunto!


EFÉSIOS 4,32-5,3.6-8.13

Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;

E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

Portanto, não sejais seus companheiros.

Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.

Vers. 13: “Tudo o que é condenável e é manifestado pela luz, é luz”.

Quando a pessoa se arrepende de algum pecado e o confessa com sinceridade, sem mentiras, isso se torna luz, esse ato de amor e de sinceridade se torna um elemento verdadeiro para a santidade.

SÃO CARLOS BORROMEU (1538-1584)

Texto pronunciado no último sínodo de que participou (Of. Leit. 4 de novembro)

“Somos todos fracos (...) mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos ser fortalecidos com facilidade. Para ter vida íntegra, ser continente, ter um comportamento santo, é preciso jejuar, orar, fugir das más conversas, fugir das familiaridades nocivas e perigosas”.

O santo cardeal continua, lembrando que devemos nos preparar mentalmente para a oração comunitária, a fim de a aproveitarmos.

SE uma fagulha do amor divino já se acendeu, não mostrá-la logo, não expô-la ao vento; manter encoberta a lâmpada para não se esfriar e não perder o calor, ou seja, fugir das distrações, ficar recolhido em Deus.

Para uma boa pregação, estudar e se preparar. Pregar primeiro com a vida e com o comportamento, para não pregar uma coisa e fazer outra. Não negligenciar a si mesmo.

A oração mental que precede acompanha e segue todos os nossos atos: meditar no que está fazendo, elevando aquilo a Deus; não fazer nada distraidamente.

Acho esse trecho do discurso dele muito útil para a vida dos evangelizadores. Às vezes lemos as leituras do Ofício das Leituras (quando as lemos!) tão automaticamente que nem tomamos conhecimento do que lemos (infelizmente eu sou um deles).

São Carlos Borromeu lembra: meditar sempre, nunca se distrair nas orações.

Já o Padre Howard, que nos anos 90 trabalhava no Brooklin (lugar pobre) dos USA, disse num retiro de Atibaia que se aproveitarmos pelo menos cinco minutos de nossa Hora Santa, já a aproveitamos bem.

Fica aí o impasse. Eu prefiro mais a opinião do Howard. Devemos caprichar, mas se não conseguirmos, não desanimar: aproveitar os minutos que conseguimos nos concentrar.


EVANGELIZADOR ACOLHEDOR

25/09/2010- postado em 02/02/17)

Por que muitos católicos mudam de religião?


Eu acredito que o motivo mais comum é porque lá eles se acham acolhidos e na Igreja Católica, não.

É impressionante o pouco caso que muitas vezes fazemos em relação aos que nos procuram! Às vezes os atendemos fazendo outras coisas, como se eles estivessem nos incomodando. Aliás, muitas vezes o objetivo é esse mesmo: mostrar-lhes que estão incomodando! E fazemos questão de olharmos para o relógio se a pessoa estiver demorando!

Jesus sempre encontrava tempo para atender a todos. Quando ele não podia atender, se retirava a lugares desertos ou ia para outros lugares. Sabia que, se ficasse, iria atender. Nós reservamos nosso tempo para aquilo que achamos mais importante. Entretanto, pergunto: o que é, realmente, importante?

Segundo a bíblia, o primeiro mandamento é o amor a Deus. O segundo, amar ao próximo. Nunca vi na bíblia que o segundo mandamento seria celebrar a missa, ou benzer a água e objetos, ou fazer casamentos, ou coisas desse tipo que damos como “álibi” para não atendermos pessoas que não “programamos” atender naquele dia.

Talvez quando assim procedemos, queiramos ser tratados como “egrégios senhores” e não como humildes servidores, humildes pastores do povo. Ora, não somos senhores! Somos pastores, vivemos ou pelo menos deveríamos viver no meio do povo!

É incrível como certos evangelizadores, como nós, sacerdotes, somos tratados como “egrégios senhores”! Eu tenho um colega sacerdote preso e ele sempre me escreve dizendo que os colegas de prisão o tratam, mesmo preso, como um “egrégio senhor” e não como um servidor, apesar de ser condenado. Acham, por exemplo, que ele deve sofrer muito com a comida, pois na prisão a alimentação não é à altura de um padre. O que deve estar à altura de um padre? O que Jesus comia? Que exemplo nós damos! De comilões! “Comi como um padre”... Não era para darmos um exemplo de simplicidade, de alimentação simples?

Ele me diz que nas saídas temporárias (ele já está no semiaberto) o convidam para almoçar, mas querem oferecer aquele requinte “a que os padres estão acostumados”. Ele não consegue explicar às pessoas que qualquer tipo de alimentação o satisfaz, pois na prisão tem que comer misturas repetitivas, poucas (uma salsicha, ou um ovo frito, ou três cubinhos de picadão, uma vez por semana uma coxinha de frango que mais parece de pardal, e uma vez por semana bife “frito” na água. Verdura só umas folhas de alface em cada três meses. Frutas? Uma banana por mês, e nos últimos meses, nenhuma), sem sal, café sem açúcar, sem frituras, sem sobremesas...

Na prisão o sacerdote não é tratado de modo diferente. Ele é um preso qualquer. Não tem regalia alguma. Mas entre os presos, sempre fica aquele muro de separação. Alguns funcionários têm que se esforçarem para não deixarem transparecer esse sentimento de inferioridade que o padre lhes provoca.

Precisamos, pois aprendermos com Jesus a sermos acolhedores, e com muitos outros evangelizadores de outras denominações religiosas.

Precisamos também aprender com os profissionais de marketing de vendas. Eles atendem bem para ganharem compradores e manterem seus empregos. Nós devemos trabalhar e atender bem para ganharmos pessoas para o Reino de Deus. Se não fizermos isso, quem não vai pra lá somos nós!

Os católicos que se reúnem em comunidades de base ou em grupos pequenos perseveram mais na religião. Os que só vão à missa dominical e não participam de mais nada, esses são os que mais mudam de religião. Não têm raízes que os pequenos grupos fazem aparecer.

Quando eu era criança um tio meu que nunca tinha ido à missa, foi, certo dia. Ele não tinha uma das pernas. Sentou-se no lado esquerdo e um congregado mariano disse que lá era lugar deles. Foi para o lado direito e uma senhora do Apostolado lhe disse que lá era o lugar delas. Ele saiu dali e nunca mais voltou à igreja.

Os católicos que continuam católicos o fazem por garra, por amor, pois, se dependessem de nosso bom atendimento... Lembro que a equipe de acolhida não substitui a boa acolhida que o padre ou o evangelizador deve proporcionar.

“Eu vim para servir e não para ser servido” (Mateus 20, 28; Marcos 10, 45).

Outra coisa importante é que não precisamos ter sempre respostas para tudo que nos perguntam. Quando você não souber resolver a questão, diga isso! Seja honesto (a) com os que o (a) procuram! Pelo menos a pessoa conseguiu desabafar-se, e isso talvez era a única coisa que ela queria.

Dar uma solução ou uma resposta precipitada e sem conhecimento de causa pode piorar a situação da pessoa. Não sou dono da verdade só porque sou padre, ou pastor, ou quem atende. Muitas vezes respondemos logo, nem ouvimos direito a pessoa, para nos livrar dela. Isso é quase um homicídio!

Tive um colega que era muito mau. Resolveu mudar de vida e procurou um padre para se confessar. Queria falar com o padre, e não apenas pedir perdão. O padre ouviu todas as barbaridades que ele lhe falou e, em vez de orientá-lo, mandou que ele rezasse algumas ave-marias e não lhe disse nenhuma palavra. O rapaz saiu da igreja e acabou entrando nas Testemunhas de Jeová. Eu o conheci já nessa seita. Eles o atenderam bem!

As pessoas que nos procuram precisam saber quais pontos de suas vidas estão corretos. Às vezes não precisamos dar uma nova “receita” de vida. Elas precisam perceber os caminhos do Espírito Santo em suas vidas. Se lhes dermos respostas prontas, sem levar isso em consideração, estamos “matando” a vida espiritual das pessoas, e tudo o que elas já conseguiram de bom nesse aspecto.

O Espírito Santo não está apenas com o (a) evangelizador (a), mas “Ele está no meio de nós”! Se ele está no meio de nós, por que não considerarmos válidas certas ações e conquistas das pessoas que nos procuram?

O melhor modo de cumprirmos o primeiro mandamento é capricharmos no segundo, ou seja, amarmos o próximo, atendermos o próximo quando de nós se aproxima. Esqueçamos o resto, ou, se não pudermos, marquemos um outro encontro. Ela vai entender. 

A ORAÇÃO NO EVANGELIZADOR

25/09/2010- postado em 02/02/17)

Lucas 18, 1 “Rezar sempre, sem nunca desistir”.


Na minha opinião, deveríamos rezar pelo menos dez por cento de um dia, ou seja, pagarmos o dízimo de oração a Deus. São duas horas e vinte e quatro minutos.

Certa vez tentei pedir a uns colegas de sacerdócio que nos comprometêssemos rezar uma hora por dia: nenhum quis firmar o compromisso. Isso quer dizer, sem querer julgar, que não rezavam nem uma hora diariamente. Que evangelização pode sair de pessoas que não rezam? O Dom Angélico, agora bispo emérito, sempre diz: “Quem não reza, vira bicho”. E o meu pároco, de quando eu era criança, sempre dizia: “Tem gente que deita burro e levanta cavalo”! - porque não rezavam nem para dormir nem para levantar-se.

Se rezarmos uma Hora Santa diária, um rosário, a Liturgia das Horas, a Santa Missa, aí já passou do dízimo de orações.

A oração nos dá coragem e força para vencermos os obstáculos. Jesus orava sempre, tanto antes das refeições, como antes de qualquer coisa. Na Bíblia de Jerusalém, comentário n° 9 de Mateus 14,23 você encontra uma relação de todas as orações que Jesus fazia no dia a dia. Temos isso também nestes links:




No primeiro link há também as formas de oração, mas creio que para evangelizadores não vai ser necessário.

Mostre-me apenas um santo ou santa que não se dedicavam à oração! Não há! Nós acabamos nos envolvendo com o trabalho e, sem tanta culpa nossa, abandonamos a oração. Aí a coisa fica feia. Eu sofri muito por causa disso e alerto a todos vocês. Não descuidem da oração como eu descuidei numa época negra de minha vida!

CARPE DIEM!

25/09/2010- postado em 02/02/17)

A tradução é “curta o momento”, “aproveite o dia”.

Vivemos fazendo tudo correndo, apressadamente, para nos sobrar tempo... para fazermos desesperadamente outras coisas.

Quando nos encontramos numa situação em que somos impedidos de agir livremente, aí aprendemos que é besteira fazermos as coisas abestalhadamente, apressadamente.

Começo esta reflexão com o salmo 126(127), 2: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá aos seus amigos até durante o sono”.

Quem realmente confia no Senhor não faz tudo como se dependesse apenas de si próprio. Lembro também Lucas 10,40-42:

“Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”.

Já em João 21,1-14, após a sua ressurreição, Jesus apareceu a Pedro, Tomé, Natanael, João, Tiago e outros dois dos seus discípulos... e comeu peixe assado com eles, na praia! Tanta gente para converter, tantas coisas para ensinar, mas eles ficaram fazendo um “piquenique” na praia. Os entendidos no assunto dizem que esses dois de quem não sabemos os nomes, somos nós!

Em Lucas 9, 10: “Os apóstolos, ao voltarem, contaram a Jesus tudo o que haviam feito. Tomando-os ele consigo à parte, dirigiu-se a um lugar deserto para o lado de Betsaida”. Em Marcos 6, 32: “Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco”!

Antes de me tornar sacerdote eu trabalhava como chefe de seção de um Banco de economia mista e ao mesmo tempo fazia o curso de Teologia. Só ficava no seminário de manhã e depois das 22 horas, quando voltava do trabalho. De manhã ficava um rapaz de mesma idade que a minha, talvez um pouco mais velho, que fazia a mesma tarefa que eu. O que ele fazia de manhã, eu fazia à tarde: controlar a saída de documentos e uns 20 que trabalhavam sob nossa orientação.

O que eu quero falar é que o meu serviço rendia mais do que o dele, e ele se encafifava com isso. Por que o meu rendia mais? Ele trabalhava muito mais do que eu! Ele soube que eu saía para o café da tarde, lá pelas 16:30h, e assim mesmo o serviço rendia. Aí certo dia em que nos encontramos por um pouco mais tempo, eu lhe contei o segredo: eu ia rezar as Vésperas com os monges do Mosteiro de São Bento, que ficava ao lado do Banco em que nós trabalhávamos. O segredo é manter-se “em dia” com Deus, pela oração, e fazer tudo com calma, sem afobação, sem desespero, sabendo que Ele nos está ajudando, estamos sob sua proteção. “Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga”, diz um ditado baseado no salmo 126.

Eu soube disso desde criança. Certo dia minha mãe chegou da fábrica, tudo por fazer, um metro de louça na pia, dois metros de roupa no tanque, camas para arrumar...Ela já havia trabalhado oito horas em pé na tecelagem!

Meu pai havia comprado laranjas, quando viera almoçar em casa (a minha mãe almoçava na fábrica mesmo), e estavam espalhadas sobre a mesa. Ela, desanimada, sentou-se à mesa e, deixando tudo pra lá, começou a chupar laranjas. Depois foi tirar uma soneca. Eu nunca me esqueci disso! Percebi que ela confiava em Deus e sabia que mais tarde, um pouco mais descansada, daria conta do trabalho.

Tenho vários amigos afobados, desesperados para fazerem qualquer tipo de trabalho. Parecem que querem salvar o mundo. Jesus já fez isso! Há um deles que está sempre correndo, também, mas tem tudo milimetricamente planejado, inclusive as horas (exatíssimas) para dormir, acordar, comer, tomar banho, andar na quadra (conta quantas voltas fez)...

Temos que acreditar que Deus tem conhecimento de tudo e é misericordioso. Ele nos tem em suas mãos. Não há necessidade de correria, a não ser, é claro, nas emergências. “Respiro já aqui na terra o ar do paraíso”! –dizia Santa Faustina. E uma autora, Mônica S., diz em seu livro sobre Santa Teresinha que ela achava que “A alegria não está nos objetos, mas no mais íntimo do coração; podemos senti-la no mais luxuoso palácio ou na mais triste prisão”.

Essa alegra só é possível com a paz, a serenidade, a confiança na ação de Deus no trabalho que fazemos. Quando tentamos fazer algo e não dá certo, após várias tentativa, deixemos na mão de Deus e façamos o pouco que podemos. Se Deus não está tão preocupado com isso, pois não está nos ajudando, por que deveríamos estar nós?

Isso ocorreu com o Cônego José Allamano, em Turim, fundador dos missionários e missionárias da Consolata. Os institutos não iam para frente de jeito nenhum. Estava tudo emperrado. Ele fez o que podia, e, no Santuário da Consolata, muito famoso, disse a Maria: “Maria, a obra é tua! Eu lha entrego! Fiz o possível! Se não quiseres essa tua obra, desfaze-a! O problema não é mais meu. Eu nada mais posso fazer! Foi uma oração mais ou menos como essa.

A partir desse momento, a obra deslanchou, foi para frente, e dura até hoje.

O Eclesiastes (Coilet) percebeu bem isso e nos transmitiu: “Não há outra felicidade para o homem além de comer, beber e gozar do bem-estar, fruto do seu trabalho. Notei que isso vem da mão de Deus, pois “quem pode, sem mim, comer e cuidar de si”? (Ecl 2,24).

É claro que isso tem que ser lido à luz do Novo Testamento e da crença da ressurreição final e na vida eterna, o que estava apenas se formando como ideia naquela época.

Se isso que estou aqui dizendo eu tivesse cumprido quando mais jovem, eu teria evitado uma porção de problemas e fatos acontecidos em minha vida. Houve uma época em minha vida que eu era um desses que trabalhava como louco. Havia me esquecido da lição que eu mesmo dera àquele meu colega do Banco. Eu me prejudiquei muito por causa disso. Por isso é que eu estou insistindo: oremos mais, coloquemos nossas ações e nossa vida nas mãos de Deus, que nunca “quebraremos as pernas”.

Digo, pois aos e às evangelizadores (as) que aproveitemos bem o nosso tempo com paciência, atendamos bem às pessoas, pois isso valerá a pena, mas deixemos Deus cuidar daquilo que não estiver ao nosso alcance! ”Lançai sobre ele vossas preocupações, porque ele cuida de vós”!(1ª Pedro 5,7).

Realmente, você acredita nisso?

USAR MEIOS POBRES

25/09/2010- postado em 02/02/17)

Jesus usou meios pobres para evangelizar?

Em primeiro lugar, ele escolheu uma casa, um lar pobre (mas não miserável). Mãe pobre, simples, humilde (mas de linhagem real). Nasceu numa cocheira, foi colocado num cocho de capim a que chamamos de manjedoura para ficar mais chique. Os primeiros a visitá-lo foram os pastores, tão odiados e marginalizados naquele tempo.

Jesus nasceu numa família de migrantes: Lucas 2,4: José veio “de Belém da Judeia para a Galileia, em busca de melhores condições de vida” (Frei Carlos Mesters, “Com Jesus na Contramão”, pág 17)

Trabalhou como agricultor e carpinteiro, aprendendo, assim a profissão de seu pai: Mateus 13,55; Marcos 6,3.

Jesus viveu pobre, por opção de vida: Lucas 9,58.

“Ao que Jesus respondeu: As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Em Filipenses 2,6-7, vemos como Jesus se humilhou com a encarnação e mais ainda ao se fazer pobre entre os pobres.

Em Mateus 6,24, manda-nos escolher entre Deus e o dinheiro: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.

Em Lucas 19,45, Jesus dispensa certos meios usados hoje para a evangelização (cf. Aparecida SP) ao expulsar os vendedores do templo.

Vemos também que Jesus não possuía dinheiro nem para pagar o imposto anual e pessoal para cobrir as necessidades do templo, a didracma. Nem a caixa comum foi usada para Jesus pagar a sua parte. Ele usou a Providência Divina como fazem os pobres: Mateus 17, 24.27: “Vai ao mar, lança o anzol, e ao primeiro peixe que pegares abrirás a boca e encontrarás um estatere. Toma-o e dá-o por mim e por ti”.

Ademais, Jesus caminhava por toda a região sem usar nenhum tipo de montaria. Às vezes encurtava caminho com a barca, mas era emprestada, e usada comumente pelos pescadores (devia ter cheiro forte de peixe!). Quando usou um jumento, ao entrar em Jerusalém, o fez apenas uma vez na vida, e de modo simbólico (João 12,14-16).

Quando Jesus parou, com os discípulos, para conversar com a samaritana, já tinham andado mais ou menos 50 quilômetros! Acho que isso era usar meios pobres!

Também não consta que ele tenha saído daquelas regiões da Palestina. Vivia entre a Judeia e a Galileia. Nada além disso. Isso nos ensina a usarmos meios pobres para a evangelização, talvez num sistema de “ondas” como a água: eu instruo um grupo, que instrui outros grupos, e assim sucessivamente, sem precisar grandes meios ou grandes somas de dinheiro.

Jesus não usava os poderosos da época; quando se achegava a eles era para convertê-los, como aconteceu com Zaqueu, em Lucas 19,1-10.

Não podemos dizer que o uso dos milagres não são meios pobres, pois hoje eles existem, como no tempo de Jesus. Ademais, o milagre ou as graças são dádivas do céu. Não são meios humanos “poderosos”, mas graça pura e, como o nome já diz, gratuita de Deus, de que qualquer pessoa, por mais pobre que seja, pode usufruir.

A santidade de Jesus pode ser considerada um meio pobre, pois qualquer um de nós pode ser santo! (Mateus 5,48; 1ª Pedro 1,16; Tiago 1,4).

Jesus usava muito o templo, que nós também podemos usar (Lucas 4,26-27; Mateus 9,35).

“Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade”.

EXEMPLOS

Temos muitos exemplos, na Igreja atual, de pessoas que procuram evangelizar como Jesus nos ensinou, ou seja, com meios pobres, e não com sofisticações que só mostram o orgulho, a vaidade e a autossuficiência de pregadores que se acham poderosos e “irresistíveis”. E temos também exemplos desta última forma de evangelização. São pessoas que usam apenas as próprias forças, caindo numa tremenda ineficácia, que causa a queda imediata de todo o aparato montado, tão logo aquele pregador deixa o cenário, ou por morte ou outro motivo.

A sociedade sacerdotal Jesus-Cáritas, fraternidade inspirada na vida do Beato Carlos de Foucauld, busca sempre os meios pobres de evangelização. Como o nosso irmão Carlos. Ele utilizava os meios pobres: viver pobre com os pobres. Mesmo que não se consiga muitas coisas, muito resultado, a evangelização acontece, cria raízes, tem maior eficácia, e isso por vários fatores. O| principal é a ajuda abundante e generosa de Deus, que guia os passos e a ação dos que nele confiam, dos que nele se apoiam.

Dizia Santo Tomás de Aquino:

“È melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado, pois andando no caminho certo, mesmo mancando, chegaremos ao objetivo, o que não acontece se estivermos correndo no caminho errado”.

Eu diria, parafraseando: “É melhor caminhar devagar com a ajuda e a orientação de um Deus que nem sempre percebemos, do que correr tentando fazer tudo sozinho, pois com Deus não precisamos temer coisa alguma, mesmo que não cheguemos a resultados palpáveis”.

Há muitos missionários nesse Brasil afora que não contam com nada, com nenhuma ajuda financeira ou poderosa, mas que fazem milagres na evangelização do povo.

Em contrapartida, poderíamos, em sã consciência, garantir que os meios poderosos estariam evangelizando realmente?

Um pequeno grupo de oração e reflexão que se reúne semanalmente numa casa, por exemplo, evangeliza muito mais do que a frequência anual a grandes santuários mas sem compromissos comunitários. Se esses pequenos grupos se multiplicarem, a evangelização decerto estará garantida!

Muitos meios dispendiosos de evangelização não evangelizam realmente. Limitam-se a incentivar a pé do povo em curas e benefícios pessoais, mas não a uma evangelização verdadeira, que o levaria a crer de um modo mais eclesial, mais comunitário, do que simplesmente a praticar a busca desesperada por curas e manifestações pessoais do sagrado.

Na minha opinião, por exemplo, toda a evangelização de algumas emissoras de televisão é como que anulada pelo tipo de propaganda comercial que fazem. Será que os fins justificam os meios?

Há também o risco da propaganda enganosa ou ato enganoso quando um padre abençoa a água, mas não é ao vivo, e não avisam os telespectadores. Quem na verdade está benzendo aquela água é um vídeo, uma gravação, e não o padre que gravou aquilo em outra hora. É a mesma coisa que eu benzer a minha água com um cd do Pe. Vítor Coelho de Almeida, ou receber a bênção de um vídeo do papa João Paulo II!

Uma sociedade apostólica atual deu de presente ao papa Bento XVI um terço feito de contas de rubi (as ave-marias) e de diamantes (os pais-nossos). Ao recebê-lo, o papa, admirado, respondeu: “precioso, precioso”! Não é esquisito o papa rezar pelos pobres desfiando rubis e diamantes nos dedos?

São João Crisóstomo (of. leit. da 21ª semana comum) diz: “Que proveito haveria se a mesa de Cristo (o altar )está coberta de taças de ouro e ele próprio morre de fome (na pessoa do pobre)? Sacia primeiro o faminto e, depois, do que sobrar, adorna a sua mesa. Fazes um cálice de ouro e não dás um copo de água”? E vai ainda nesse assunto até o fim da leitura. Termina dizendo: “Por conseguinte, enquanto adornas a casa (de Deus) não desprezes o irmão aflito, pois ele é mais precioso que o templo”.

Nós sempre conseguimos grandes quantias para a construção e reformas de templos, mas que miséria para combater a fome e a desnutrição!

São Paulo diz a Timóteo em 1ª Timóteo 6,7-11:

“Nada trouxemos para este mundo, e é certo que nada podemos levar dele. Tendo, porém, com que nos sustentarmos e nos vestirmos estejamos satisfeitos com isso. (...) O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e causaram a si mesmos muitas dores. Mas tu, homem de Deus, foge destas coisas, e segue ajustiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência e a mansidão”!

Se Deus nos convida a uma vida simples, não nos abandonará. Vai nos ajudar, vai nos prover do necessário para a vida. Leia estes textos na bíblia:

Provérbios 23,26; Isaías 44,21; Lucas 12,32-34; Apoc 2,10 (“Não temas diante do que hás de sofrer”!); 1ª Pedro 5,7

Procuremos seriamente abandonar em nossa vida os gastos supérfluos!

Que as autoridades da religião, tanto Católica como as demais, não gastassem também tanto tempo com o cuidado das obras de arte. A Igreja Católica já foi guardiã das artes no passado, mas agora isso não é mais preciso! Há pessoas até mais competentes que têm como profissão (e muito lucrativa) cuidar das artes. Hoje em dia, mais do que a “arte pela arte”, ela tornou-se um investimento alto na economia mundial. Deixou de ser uma tarefa da Igreja. “Deixe que os mortos enterrem seus mortos”! Deixem que os organismos artísticos cuidem da arte! Não gastemos tempo nisso, e dinheiro, já que a arte sustentada pela Igreja é despesa e não entrada.

A POBREZA- DO EVANGELILZADOR

25/09/2010- postado em 02/02/17)

O ensinamento dado por Jesus quanto ao “modus vivendi” dos evangelizadores foi transmitido por São Lucas 9,1-6, assim como por Mateus 10,9-10 e Marcos 6,8-9:

“Não leveis nada para a viagem, nem bordão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais cada qual duas túnicas”.

Até um analfabeto entende esse texto. E não consta que Jesus o tenha mitigado aos demais discípulos! Jesus exige pobreza dos que vão pastorear o povo, pois Ele é que nos dará a força e os meios necessários: Mateus 6,25-34:

“Não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir (...) Não andeis preocupados dizendo: “Que iremos comer”? Ou: “Que iremos beber”? Ou: “Que iremos vestir”? (...) Vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua Justiça e todas essas coisas vos serão acrescentadas”.

Jesus falou ou não falou isso? Será que ele estava dizendo isso “de mentirinha”? Naquele tempo já havia muitos recursos e dinheiro, não como hoje em dia, mas havia.

Jesus falou ou não falou em Lucas 12,33-34 ou Mateus 6,20-21:

“Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Pois onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.

Lucas ensina a pobreza, o dar esmolas com o que se tem , em várias passagens, como segue:

Lucas 3,11: “Aquele que tem duas túnicas, dê uma àquele que não tem, e o que tem alimentos para comer, faça o mesmo”.

Lucas 5,11: “Depois de levarem as barcas para a terra, abandonaram tudo e o seguiram”.

Lucas 5,28: “Ele (Levi), deixando tudo, levantou-se e o seguiu”.

Lucas 6,30:”Dá a todo aquele que te pedir e não reclames de quem tira o que é teu”.

Lucas 11,41: “Dai, contudo, esmola segundo vossas posses e tudo será puro para vós”.

Jesus convidou o jovem rico a ser Apóstolo com essas palavras, de Lucas 18,22:

“Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que possuis e dá aos pobres. Possuirás assim um tesouro no céu. Vem depois e segue-me”.

A Cornélio, o anjo disse em Atos 10,4b:

“Tuas orações e tuas esmolas subiram à presença de Deus e te são reconhecidas”.

Ou seja, de modo garantido, Jesus gosta das esmolas e das orações, do desapego, da pobreza evangélica.

Eu gosto muito da radicalidade de Jesus em Lucas 14,33: “Assim, pois, qualquer um de vós (=qualquer um!) que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”.

A parábola que Jesus contara, nesse texto, é a de um homem que pensa em construir uma torre, mas não vai conseguir terminá-la sozinho, com o próprio dinheiro. Também conta a história do rei que pensa em guerrear contra o reino vizinho, mas não sabe se tem o exército suficientemente forte. Precisará de ajuda!

Jesus não fala apenas em pedirmos que ele nos ajude, mas que renunciemos a tudo! Isso inclui tanto os bens e as posses, como também as nossas forças, os nossos projetos. Só Ele pode nos dar ou nos permitir a vitória! Sem ele, ficaremos “à beira do caminho”. É o que nos diz o salmo 126 (127):

“Se o Senhor não constrói a casa, em vão trabalham os construtores; se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigiam os guardas. É inútil que madrugueis e que atraseis o vosso repouso noturno para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado ele o dá enquanto dorme”!

Ou tudo isso é mentira, e fomos enganados, ou nós é que estamos nos enganando, dando uma interpretação falsa e covarde aos textos evangélicos!

Quando Jesus pede o desprendimento e a pobreza aos discípulos, e portanto atualmente a nós, evangelizadores, quer, de fato, nos ensinar várias coisas:

1- Sermos um instrumento nas mãos de Deus, deixando que ele nos guie, e por nosso intermédio, guie o povo.

2- Não cairmos na rede traiçoeira da ganância e pecados afins, como a inveja, o medo do futuro, a insegurança, as intrigas por interesse, a busca dos melhores lugares de trabalho, a preferência pelos ricos e pelos (as) perfumados(as) e assim por diante. 

3- Lembrar-nos e ao povo de que a verdadeira vida é a outra, é a vida eterna, da qual esta é apenas o “ensaio”, a preparação do prato que vamos levar para a festa do céu.

4-Lembrar-nos e ao povo que a vida é breve e logo a “irmã” morte nos bate à porta!

5-Estarmos plenamente livres quer psicologicamente, quer politicamente, quer sociologicamente, para enfrentarmos os problemas e percalços do nosso ministério. Ser pobre é estar no último lugar, ninguém inveja. É um lugar privilegiado, no qual Jesus permaneceu a vida toda. O pobre, mesmo o evangelizador pobre, tem sua vida descomplicada e “cabe” em qualquer lugar, não tem preocupações materiais, se confiar na Providência Divina.

1ª Pedro 5,6-7: “Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós”.

Comparo a atitude de trabalhar confiando em Jesus, numa vida simples, pobre, partilhada, na humildade, sabendo ter paciência, sabendo esperar a ação de Deus, não agindo sozinho em com arrogância, com o aviador que coloca o avião no piloto automático. Ele está em seu posto, mas quem governa o avião é o computador. Quem não confia na ajuda e na presença de Deus, ou seja, quem confia apenas no seu trabalho, está dirigindo com as próprias forças e conhecimento o avião; os que coordenam o trabalho sabendo que é Deus quem, o exerce e o executa, é o que colocou o avião (=suas vidas, suas ações) no piloto automático (Deus).

Sobre a imbecilidade da ganância e de se confiar nos bens materiais e mesmo nos meios sofisticados de evangelização, nos diz Lucas 12,13-21:

“Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. (v 15).

Lucas 12,20:”Louco! Ainda nesta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste”?

Em Atos 3,6, Pedro diz:

“Prata e ouro não tenho. Mas o que tenho, isso te dou...”(e curou o coxo de nascença).

A dignidade dos evangelizadores é bastante profunda e séria. Na Igreja Católica (aqui estou falando também para os pastores evangélicos) há a doutrina de que o padre ou o bispo, pela sucessão apostólica, age “in persona Christi” quando celebra os sacramentos, ou seja, é o próprio Cristo quem age, naquele instante, por meio do sacerdote. É por isso que a Missa é considerada a própria Santa Ceia, e não uma representação da Santa Ceia. Por mais que o padre tenha pecados, na hora da consagração da Missa, em que o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, nós acreditamos que é o próprio Cristo quem está ali consagrando.

Até me dá arrepio ao falar nisso. Naquele momento eu “viro” Jesus, Ele está em mim! Mesmo os pastores evangélicos, as pastoras, as pessoas que evangelizam nesse mundo afora, mesmo eles tem a presença viva de Jesus na pregação.

Só isso é motivo suficiente para sermos servidores pobres do Senhor, para buscarmos nossa santidade, uma santidade genuína, sincera, a toda prova.

Precisamos deixar de lado nossas inseguranças e desconfianças! Ou acreditamos ou não que Deus está conosco, que Ele nunca nos abandonará! Não deveria haver meio termo.

Muitos dizem que os tempos mudaram, são modernos, a vida é outra. Entretanto, Jesus não deu nenhuma “dica” de que ele quer outra coisa para os tempos atuais. Meios poderosos, mas pessoas medíocres na fé, superficiais, que apenas “borboleteiam” na bíblia. Meios poderosos, mas evangelizadores burgueses e desejosos de vida boa, de serem servidos, “paparicados”, achando que são semideuses, os salvadores da humanidade.

Santa Teresa D’Ávila nos diz coisa diferente disso:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! Deus nunca muda! A paciência tudo alcança! Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”!

Ou como disse o cardeal Van Thuan, bispo no Vietnam, dias após sua prisão, dias de angústia, na qual ficou por nove anos na solitária e mais quatro no convívio com os demais, ao ver que tinha deixado inúmeros trabalhos apostólicos na diocese:

“Quando percebi que nada mais eu poderia fazer, que todo o trabalho apostólico ficaria parado, ou apenas nas mãos dos leigos, percebi também uma verdade: Eu escolhi Deus, e não suas obras”!

Eu sempre me lembro da minha professora de catecismo, Dona Rosa Pereira, que dizia: “Eu sou nota nove”! Depois de uma pausa, diante da surpresa de quem a ouvia, achando-a orgulhosa, ela concluía: “”Noves fora, nada”! E ria gostosamente.

Como Isaías 54,10, sei que “Meu amor nunca de ti irá se afastar, diz o Senhor”. Ou Isaías 44,21: “Nunca vou te esquecer”!

Ou ainda Isaías 49,15-16: ‘Ainda que a mãe se esqueça do filho que gerou, eu não me esquecerei de ti, diz o Senhor. Eu te tatuei na palma de minha mão”!


terça-feira, 22 de maio de 2018

POESIAS 124



O RECADO

22/05/2018

A luz do sol
violenta aquela sala,
se reflete num copo vazio de uísque,
esquecido no tapete, 
e repousa sobre um jovem,
adormecido,
que jaz no sofá, ainda bem vestido,

como se fosse a um encontro.

O dia, recém chegado,
deletou de sua mente
os últimos lampejos,
embriagados, 
das apaixonadas ilusões
ainda da noite agitada,
que acabara de falecer. 

Se ainda restasse alguma esperança
naquele angustiado coração, 
estaria adormecida, 
ou, por que não dizer,
arrefecida!

No celular, 
jogado no canto do sofá, 
ainda estava ativa
uma mensagem dolorida:
“Carlos, me esqueça”!
“Não dá mais”!


O MUNDO QUE VEJO

03/05/2018

No inverno, alegrias rarefeitas...
No verão, tristezas imensas...
Nada mais me alegra!

O mundo vomita cicuta, 
A política se disputa, 
mas você pode escolher o seu gênero... 

Nada mais é preciso, 
tudo se torna indeciso, 
não sei se estou no verão ou no inverno!

Lembro o colo materno, 
a segurança ingênua, 
a bondade particularizada!

Os corações se esclerosaram, 
As compras se endeusaram, 
abundou-se a tristeza!

Muitos comem enfastiados, 
outros lutam desgraçados,
não conseguem pão na mesa...

Aparições de Maria, 
acabou-se a guerra fria, 
previsões de holocaustos...

Enquanto isso, no notebook,
sentado numa cadeira,
eu simplesmente escrevo, 

ao lado de um copo de uísque...

12/03/2018
OÁSIS

O caminho é de pedras
que ferem os meus pés,
o horizonte é sombrio,
esconde a esperança!
O sol, escondido,
se recusa a me aquecer,
o frio de minha alma
congela o meu coração.

Nada à vista,
nenhum pássaro,
nenhuma flor,
nenhuma árvore.

O único Oásis
que vejo possível
é teus braços,
que me amam,
que me confortam!

terça-feira, 15 de maio de 2018

O MARUJÁ NA ILHA DO CARDOSO



Histórico:(tirado do site: http://www.cananeia.net/cardoso.php



O Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) está localizado no extremo sul do litoral de São Paulo, no município de Cananéia. Criado pelo Decreto nº 40.319 de 03/07/1962, abrange uma área de 15.100 ha, onde são encontrados todos os tipos de vegetação da Mata Atlântica costeira que proporcionam uma variedade extraordinária de ambientes e uma alta diversidade biológica.

O PEIC integra o Complexo Estuarino Lagunar de Iguape-Cananéia- Paranaguá, que se estende pelo litoral desde Peruíbe (SP) até Paranaguá (PR). É considerado um dos maiores criadouros de espécies marinhas do Atlântico sul, sendo prioritária a sua conservação. 

As praias, os costões rochosos e as dunas podem ser vistos na face da ilha que recebe as águas do oceano, onde se encontram as praias do Itacuruçá, Ipanema, Cambriú, Fole Pequeno, Foles, Lages e Marujá. Os manguezais se formam no Canal do Ararapira e na Baía de Trapandé, na face ocidental da ilha. Além disso, uma extensa restinga cobre a maior parte da planície litorânea da Ilha. 


Existem seis comunidades caiçaras no Parque, totalizando 465 moradores. Com forte influência cultural indígena, desenvolveram um apurado conhecimento da natureza. São formadas em sua maioria por pescadores que, atualmente, têm o turismo como fonte substancial de renda. 

São encontrados numerosos sambaquis (sítios arqueológicos), ruínas da ocupação humana a partir do período colonial e um marco do tratado de Tordesilhas, que também garantem grande importância histórica ao Parque. 

Sobre o Vale do Ribeira-

O Vale do Ribeira é composto por 23 mnicipios e detém a maior porção conitua de mata atlântica do Brasil. O vale é muito rico em sua cultura e historia. 

Possui diversas comunidades caiçaras, remanescente de quilombos e indigenas. A região abriga a maior concentração de cavernas calcareas do Brasil, com mais de 350 cadastradas e as ultimas praias intocadas do Litoral Paulista. além de formações florestais únicas em beleza e estado de conservação como manguezais, restingas e florestas ombrofilas, mista e densa.

Floresta ombrófila densa aluvial 


Trata-se de uma formação ribeirinha ou mata ciliar que ocorre ao longo dos cursos de água, ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias. Tal formação é constituída por espécies vegetais com alturas variando de 5 a 50 metros, de rápido crescimento, em geral de casca lisa, tronco cônico e raízes tabulares. 

Nessa casa encontram-se muitas palmeiras no estrato dominado e na submata, havendo espécies que não ultrapassam os 5 metros de altura. Observa-se também algumas plantas não lenhosas na superfície do solo. Em contrapartida, a formação apresenta muitos cipós lenhosos e herbáceos, além de um grande número de epífitas e poucos parasitas- fonte: Wikipédia) 

Na Ilha do Cardoso a parte mais frequentada talvez seja o Marujá, cujas fotos você pôde apreciar nesta postagem. Eu as tirei em 1990. Sempre que eu posso, eu vou para lá. É um lugar maravilhoso. Um amigo meu fez uma pequena música para esse lugar tão gostoso. Ei-la: 


De volta para a Ilha 


Estou voltando 
De novo para a Ilha 
Onde a areia é mais branca 
E o sol, mais bonito 
Brilhando no infinito! 
Os botos me esperam
Desde há muito tempo 
To com uma saudade louca 
Eu quase não me aguento 
É tanto sentimento 
Que viajo em pensamento 


Ao raiar do dia 
Vou nadar, jogar, cantar de alegria 
Relembrar aqueles dias 
De amizade, festa e boa companhia 


Quem conhece, sabe 
Pinga com cataia 
Num bar da Ilha – é maravilha! 
Um lual na praia 
O cheio de mar é tão gostoso 
Minha Ilha, preferida, do Cardoso! 

Ibiti, 17.2.2010 – (A.M. e A. G.; este último estava morando na Itália quando nos escreveu, onde pode haver coisas mais bonitas, mas nunca iguais ao Marujá, e de lá acessava o nosso site).

Essa "cataia" é uma árvore cuja folha é colocada na pinga. Dá um sabor maravilhoso, mas "sobe" demais e precisa ser apreciada com muita moderação. É a bebida própria do Marujá. 

Não há luz elétrica, a não ser por meio de geradores, o que estraga e atrapalha um pouco o silêncio. Só se chega lá com a barca, ou com lanchas, conforme a vontade do turista. 


A hospedagem é feita em pousadas bem simples. Em 2002 estava R$ 35,00, com café da manhã, almoço, jantar e roupa de cama (o salário mínimo estava a R$ 200,00, ou seja, a diária era 17,5% de um salário mínimo).

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A EPÍSTOLA DE BARNABÉ


Na dita Epístola de Barnabé (2ª leit. 4ª f. 18ª sem. com.) vemos um resumo de como deve ser a vida do cristão católico:

- Amarás quem te criou;

- Terás veneração por quem te formou;

- Darás glória a Jesus, que te remiu da morte;

- Serás simples de coração e rico no espírito;

- Não te juntarás aos que andam pelo caminho da morte;

- Terás aversão por tudo quanto desagrada a Deus;

- Odiarás toda simulação;

- Não desprezes os mandamentos do Senhor;

- Não te exaltes a ti mesmo. Sê humilde em tudo!

- Não procures a tua glória;

- Não faças mau projeto contra o próximo;

- Não te entregues à arrogância;

- Ama teu próximo mais do que a tua vida;

- Não mates o feto por aborto nem depois do nascimento;

- Tem em mãos teu filho ou tua filha e desde criança ensina- lhes o temor do Senhor.

- Não cobices os bens do teu próximo, nem sejas avaro.

- Não te unas de coração aos soberbos, mas sê amigo dos - humildes e justos;

- Tanto quanto te acontece, recebe-os como um bem, - sabendo que nada se faz sem Deus;

- Não sejas inconstante e sem palavra;

- É laço de morte a língua dúplice;

- Partilharás tudo com o teu próximo e não dirás ser propriedade tua o que quer que seja.

- Se sois coerdeiros das realidades incorruptíveis, quando mais sois coerdeiros daquilo que se corrompe!

- Não sejas arrebatado de língua;

- A boca é cilada mortífera.

- Tanto quanto puderes, por tua alma sê casto;

- Não tenhas a mão estendida para recebe e encolhida para dar!

- Ama como à pupila dos olhos todo aquele que fala a Palavra do Senhor, guarda na memória, dia e noite, o dia do juízo e procura diariamente a presença dos santos, estimulando pela palavra, exortando e meditando como salvar a alma por tua palavra ou trabalhar com tuas mãos para a remissão dos pecados;

- Não hesites em dar, nem dês murmurando, pois bem sabes quem é o remunerador da dádiva;

- Guarda o que recebeste, sem tirar nem pôr;

- Seja-te perpetuamente odioso o maligno;

- Julgarás com justiça;

- Não fomentes dissídios, mas esforça-te por restituir a paz, reconciliando os contendentes;

- Confessarás teus pecados. Não vás às orações com a consciência carregada. TAL É O CAMINHO DA LUZ!

O Livro do Eclesiástico 2,1-6, lembra que seremos provados no decorrer de nossa vida, mas devemos, com muita paciência, não nos separar de Deus, não ter pressa nos momentos das adversidades, e aceitar tudo o que nos acontecer, pois sabemos que Deus é misericordioso, é nosso Pai e nossa Mãe, e não vai nos deixar para trás. Termina no versículo 11: "Deus é compassivo, misericordioso, perdoa os teus pecados e te salva na tribulação".