segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PARADIGMAS:01- MUNDO, MUNDO...

(24/07/2015)

“Mundo, mundo, vasto mundo, seu eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução” (Carlos Drumond de Andrade).
Minhas avós me paparicavam muito. Uma delas era professora rural e a outra, professora de crochê e tricô. A primeira, portuguesa; a outra, italiana.
Nasci no final da segunda guerra mundial. A fome grassava no mundo, mesmo no Brasil. O que nos salvou é que nossa vida era muito simples. Usávamos balas de mel como açúcar, pois não havia esse produto em lugar algum.
Que mundo é esse em que fui colocado por meus pais e por Deus? Sofrimentos, guerras, maldades, prazer pelo prazer, fome, doenças, injustiças, violência!
“Nada te perturbe”, dizia Santa Teresa de Jesus. Como não me perturbar? Até tirei um site do ar por ter esse nome. Comecei a perceber que no mundo de hoje não há como ficar alienado da vida. Mesmo quem segue a vida contemplativa não pode descuidar dos pobres e das injustiças. Os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres. Os ricos não se saciam! Querem cada vez mais! Veja os escândalos do ano de 2015, como o da Petrobrás!
Por que tanto luxo, tanto dinheiro? Eu não tenho coragem de pagar 200 reais por uma garrafa de vinho, por exemplo. Mas tem gente que tem... O paladar do vinho sempre vai ser o mesmo, seja barato ou caro. Se não , não é mais vinho!
Diz Amós 3,15: “Derrubarei a casa de inverno como a casa de verão; as casas de marfim perecerão, e as grandes casas serão destruídas, diz o Senhor”!  E em 6, 1-6: “Ai dos que (...) dormis em camas de marfim e vos espreguiçais sobre o vosso leito (...), que bebeis vinho em taças e vos ungis com o mais excelente perfume, mas não vos afligis com a ruína de José!”
O mundo está sendo conduzido ao autoextermínio. Não vamos ver isso, mas talvez o vejam nossos netos ou bisnetos. Entretanto, ainda resta uma esperança! A nossa conversão, a nossa mudança de vida, para uma vida mais simples, sem grandes riquezas, sem roubos, sem violências, sem vícios desenfreados, com muita misericórdia no coração. “Que a sensatez e a misericórdia corram como um rio perene!” (Amós 5,24).
O mundo que temos aí é visto como um paradigma: “não podemos mudá-lo”, dizem os conformistas. Acham que o mundo não pode ser mais justo e mais irmão.
O conceito que temos do mundo é um mundo desprovido de paz, de harmonia, de amor.

PARADIGMAS: 2- AMOR-GRATIDÃO

Quando oferecemos uma oração, um benefício, uma ação social a Deus, uma penitência, dizemos que fazemos aquilo “por amor a Vós, Senhor”!
Será que é mesmo por amor a Deus que fazemos isso tudo? Será que não é por amor a nós próprios, por medo de irmos ao inferno? Será que somos capazes de amar a Deus desinteressadamente?
Pense bem: por mais gratuitamente que façamos algo, o fazemos para ganhar o céu e, portanto, não é algo gratuito. Deus é o único que pode amar gratuitamente, pois é autossuficiente, todo-poderoso, tem tudo e não precisa de nós e de nada, nem mesmo do nosso amor. Por mais que queiramos, não podemos aumentar em nada sua felicidade, que já é infinita!
É possível, porém amarmos a Deus com um amor de gratidão. É, a gratidão por tudo o que Ele nos deu e nos dá.
No amor gratidão nós nos preservamos do pecado, em gratidão do que Deus fez e faz por nós, e assim vamos permitir que ele nos ame agora e em odos os dias de nossa vida, pelo restante da eternidade. Amor gratidão é deixar-se amar por Deus, não só agora, mas para sempre!
Deus se “esconde” de nós, neste mundo, para não forçar a nossa adesão a ele, para preservar a nossa liberdade, o nosso livre arbítrio. Ele fez isso até com São Paulo Apóstolo: Deus o mandou falar com Ananias, que lhe disse o que ele deveria fazer e, com isso, lhe deu liberdade para dizer “não”.
É assim que Deus age: manda-nos bilhetes de amor e amizade e espera, escondido por detrás da árvore, que nós lhe respondamos. Esses bilhetes se veem na bíblia, na liturgia, no dia a dia, por meio dos acontecimentos.
No Cântico dos Cânticos 3,1-2 há um trecho belo sobre a busca do amado: “Procurei-o e não o encontrei”! Maria Madalena também buscou Jesus no sepulcro e não o encontrou de imediato, só depois. Nós o procuramos durante a vida toda e não sabemos se já o encontramos ou não!
A terra é um paraíso em que Deus não aparece pessoalmente, e a estamos transformando num inferno. O Frei Carlos Mesters diz que o paraíso terrestre não deve ser visto como a saudade de algo que passou, mas a esperança de algo que podemos construir.


Procuremos Deus por detrás das “árvores” de nossa vida, como a solidão, doenças, imprevistos, pobreza... e vamos amá-lo pelo menos com um amor de gratidão! Ele nos aceitará como o idoso, que sabe que é cuidado muitas vezes por causa do dinheiro que vai deixar de herança, mas aceita essa situação.

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR

PARADIGMAS: 03- SUPERANDO AS DIFICULDADES

Qual é a sua dificuldade? Você culpa alguém ou a algum acontecimento, ou as estruturas de poder, ou as influências genéticas ou as deficiências de seus pais?
O Rabino Jonathan Sacks, no livro “Para curar um mundo fraturado” (Ed. Senfer, 2007,pág.183), diz: “ Há estruturas de poder, mas podemos permanecer fora delas. Há influências genéticas em nossa conduta, mas podemos dominá-las. Nós somos formados por nossos pais, mas podemos ir além deles”!
Somos criados em meio a leis, normas de conduta, preconceitos, paradigmas que as pessoas acham que não podem ser mudados, que nos desviam de nossas capacidades e possibilidades, de nosso crescimento de acordo c om a vontade de Deus a nosso respeito.
Os psicólogos dizem que podemos vencer os paradigmas, ou seja, os “padrões” de conduta que limitam muito nossas ações e são tidas como imutáveis.
Os atletas mostram isso quando vencem os próprios recordes e outros recordes mundiais em suas atividades esportivas. Na vida psicológica, material, espiritual, social, isso também é possível.
Acontece que vemos muitas pessoas culpando tudo e todos pelas suas dificuldades, traumas, decepções, fracassos e insucessos.
O demônio vem em 1º lugar no que se refere a “costas largas”. Colocam tudo como culpa dele! É fácil e cômodo tirarmos o nosso corpo de nossas responsabilidades pessoais e culparmos os demais: acalmamos, mas de modo artificial e mentiroso, a nossa consciência. Se disso resultar um pouco de paz, é falsa, fajuta, artificial.
Santa Catarina de Sena insiste muito no que ela chama de “autoconhecimento”. É o hábito que devemos adquirir de nos conhecermos melhor e, humildemente, termos coragem de admitir nossos defeitos, nossas falhas, nossos pecados, sem máscaras, sem subterfúgios, sem “enrolação”. Sem a humildade isso nunca será possível: sempre procuraremos nos desculpar pelas besteiras e asneiras que fazemos. Tomar conhecimento de quem realmente somos e assumir isso tudo é a chave para mudar nossa vida, melhorar e vencer as dificuldades.


Ouçamos o que as pessoas dizem de nós, e reflitamos sobre isso! Pode ser que as pessoas estejam pelo menos com uma parte da verdade a nosso respeito! Não fujamos de nossos problemas. Procuremos os meios disponíveis. Peçamos ajuda! Confiemos em Deus, para que ele possa nos ajudar. Vivamos bem o dia de hoje! O ontem já passou, o amanhã ainda não chegou! Deus nos ama como somos, mas se o deixarmos, ele pode nos mudar no que ele quer que sejamos. Uma coisa é certa: sozinho nunca venceremos nada.

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR

PARADIGMAS: 04- OS PORÕES DA HUMANIDADE


Em meus tantos anos de idade já vivi em muitos lugares diferentes e conheci, nessa atividade toda que até aqui exerci, os “porões” da humanidade, ou seja, todo tipo de humilhação, baixaria, atendi viciados em todo tipo de coisas, ateus, blasfemos, sarcásticos...
Nesses lugares a religião e mesmo o catolicismo é xingado, blasfemado, atacado, e somos a minoria. Acham que adoramos imagens e dizem ainda coisas piores. A honestidade conjugal é ridicularizada, ao mesmo tempo em que o adultério e a prostituição são enaltecidos. O considerado “normal” é levar vantagem em tudo, mesmo de modo desonesto e injusto.
Muitas pessoas conseguem usar máscaras, de modo que os que convivem com elas as acham pessoas comuns, boas, sérias, honestas, sinceras. Quanta hipocrisia!
A Eucaristia é uma “eterna” desconhecida, completamente ignorada, mesmo por muitos católicos que vivem nesses ambientes.  Que pena! É justamente Jesus Eucarístico que nos dá a força para passarmos por tudo isso sem nos contaminarmos. Jesus se fez alimento para nos fortalecer. Pela oração e pela comunhão, podemos vencer qualquer obstáculo.
A sociedade impiedosa é que obriga essas pessoas a usarem máscaras, pois não tem misericórdia nem compaixão. As pessoas têm medo do que são e do que as demais vão pensar delas. Já as que não seguem nenhuma religião, vivem num “ateísmo prático” e até nem usam máscaras. Falam abertamente as asneiras que fazem e até se orgulham disso! Não distinguem senso moral ou ético das barbaridades que fazem ou dizem que fazem; não distinguem o pecado da virtude. A única comparação que fazem é a do que dá prazer e o que não dá prazer. As virtudes são simplesmente ridicularizadas e descartadas.
Muitos mostram um pouco de religiosidade, mas não é muito verdadeira: usam algumas atitudes para as outras pessoas pensarem que eles seguem o cristianismo, mas sua prática é pior que as dos pagãos dos tempos bíblicos.
Jesus nos deixou as orientações para acessarmos a riqueza do mundo invisível: o amor, a vigilância, a oração, a renúncia de tudo o que não é Deus. O bom exemplo é muito importante nesse processo, pois anima os mais fracos.
Sobretudo, lembro-lhes que não existem pessoas mais fracas e pessoas mais fortes: todos somos fracos! O que torna uma pessoa vencedora e forte é a vigilância e a oração. É Jesus quem nos fortalece para a luta. Quando nos convertemos de uma vida pecaminosa do passado, não é necessário ficarmos dizendo isso a todos. Sejamos simplesmente uma criatura renovada, disposta a recomeçar sempre, mesmo com os “tombos”, nunca ficar estatelada no chão da vida. Continuemos sempre a caminho do paraíso! Se cairmos, levantemo-nos de novo!
Embora vivamos todos no mesmo planeta, quem vive em busca do Senhor está num mundo diferente dos que não o procuram. Foi São João que ouviu isso de Jesus: “Vós não sois do mundo, apesar de estarem no mundo” (João 15,19).
Mesmo quando nos sentimos isolados por não encontrarmos quem pense como nós, ou seja, a busca de uma vida de acordo com o evangelho, não nos aborreçamos! Deus estará sempre conosco, e é isso que importa.
Numa festa de Corpus Christi, que é feriado, eu meditava: “Afinal, quem entende realmente essa festa? Como eu poderia lhes explicar que aqueles desenhos todos que as pessoas fazem nas ruas não foram feitos para o bispo ou o padre passarem, mas sim para Jesus Eucarístico, que está nas mãos do padre ou do bispo que presidem a procissão, em forma de hóstia. O valor não está no ostensório dourado que o padre segura, mas na hóstia consagrada que está no ostensório.
A Eucaristia, a Hóstia Consagrada, não é um símbolo de Jesus, não está representando Jesus, mas é o próprio Jesus em Corpo, Sangue, Alma e divindade! E o padre que a consagrou fez isso validamente porque foi ordenado por um bispo, que foi ordenado por outro, e por outro, e por outro, até chegar nos Apóstolos, que por sua vez foram ordenados por Jesus.  A isso se chama “Sucessão Apostólica”, que pode ser lida num de nossos blogs catequéticos (http://bloguinhocatequetico.blogspot.com.br  ) ou mesmo neste site.
Nos “porões” da humanidade, muitos irmãos nossos vivem uma vida falsa, ilusória, massacrante, em que os vícios são idolatrados, fazem uma certa “concorrência” com o Deus verdadeiro, esse Deus tão misericordioso, que está sempre pronto para nos perdoar e “atirar nossos pecados no mais profundo do mar”, como diz Miqueias 7,19.
Tanto eu como vocês, vamos abrir a porta de nosso coração para Jesus (Apocalipse 3,20) e deixá-lo agir em nós, a fim de que percebamos a alegria que estamos perdendo quando não buscamos o perdão de Deus e uma vida mais de acordo com o Evangelho!

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR

PARADIGMAS: 05- OS MARGINALIZADOS


Os doentes, sofredores, moradores de rua, cegos, deficientes físicos, desempregados, num grupo, e os menores infratores, ladrões, assassinos, traficantes, prostitutas, garotos de programa, dependentes químicos, alcoólatras, num outro grupo. Há também um terceiro grupo de marginalizados da sociedade, que são os milionários e os ”ídolos” do cinema, música e tevê.
Essas pessoas todas se isolam em pequenos grupos e acabam não participando da vida comum da sociedade. Vamos nos ater aos pobres, que são marginalizados pelos ricos.
Jesus nasceu pobre, mas não na miséria, como tantos hoje vivem. Havia, no tempo dele, pessoas marginalizadas, como os doentes, leprosos, pecadores, possessos.
Jesus viveu a vida toda na classe pobre. Quando ele tocava algum marginalizado para curá-lo, não descia de classe, mas curava a pessoa e esta é que “subia” da classe dos legalmente impuros para a classe dos purificados.
O estudo pode ser um meio de se sair da marginalização, assim como o trabalho, quando feito por gosto e com sabedoria.  Um faxineiro, por exemplo, com estudo, pode  saber, melhor do que os que não têm nenhum estudo, como melhorar suas condições econômicas, financeiras e na sociedade, até que se forme e comece a exercer sua profissão. Ele se sobressai em qualquer coisa que faça.
Jesus não quer ver ninguém vivendo na miséria. Quando manda renunciar a tudo o que se possui, se preocupa com os que vivem na abundância e se desviam do bom caminho: acabam “descartando” Deus de suas vidas.
“Felizes os pobres em espírito” (Mt 5,3). O que é ser pobre em espírito? O Beato Carlos de Foucauld dizia: “Nós temos conosco, ao redor de nós, um Pai que nos ama com um amor infinito e que é Todo-Poderoso. E por que então estaríamos inquietos pelas coisas materiais? Que loucura”!
Diz mais:  “Você é meu irmão, o que me pertence é seu; um pouco de lama ou de lã não me separará do meu irmão. Eu o amo, tome tudo o que você quiser; querendo você mais, tome mais, tome tudo, tudo o que eu tenho é seu, irmão bem amado. Eu o amo, tudo o que eu tenho é seu”.
Os continuadores do pensamento do Irmão Carlos de Foucauld foram o Pe. René Voillaume e a Irmãzinha Madalena. Eles diziam que o ideal de pobreza é a que vive um operário comum.
Atualmente penso que uma família deve ter possibilidade de possuir casa, automóvel, tirar férias, estudar os filhos, alimentar-se bem, ter possibilidade do lazer.
A vida de maior pobreza deveria ser seguida pelos (as) religiosos (as), mas, como diz Felicisimo (sic) Diez, as congregações religiosas deveriam “repassar” o dinheiro extra que entra para os pobres, em vez de embelezarem fazerem reformas sem fim nos prédios e pertences da congregação. Não basta que seus membros sejam pobres. A congregação também deve ser.
As congregações inspiradas no Beato Carlos de Foucaul vivem essa vida simples, mas têm poucas vocações. As Irmãzinhas de Jesus trabalham como operárias ou empregadas domésticas, ou faxineiras, ou em qualquer profissão pobre. Os Irmãozinhos de Jesus e os Irmãozinhos do Evangelho, idem. Vivem plenamente inseridos na vida do pobre.
Enfim, ser “pobre em espírito” é, mesmo com a capacidade de ganhar bem, renunciar parte disso para partilhar com os pobres e necessitados.
Nosso modo de vida deve ser de economia, nunca desperdiçarmos, vivermos de nosso trabalho, nunca às custas dos outros, evitando o que for supérfluo, o consumismo desnecessário, as falsas necessidades criadas pela mídia. Que nossa casa seja simples, mas confortável e nossas visitas possam sentir-se à vontade, sem aquelas manias de que não podem sujar isto ou aquilo, tendo que tomarem cuidado exagerado com a limpeza da casa. Havia uma vizinha de casa assim! Quando eu entrava na casa (eu tinha uns 10 anos), ela me seguia com a vassoura, varrendo meu rastro. O resultado é que nunca mais fui à casa dela.
Quanta gente viveu e vive a pobreza evangélica! Acreditemos neles! Foram pessoas felizes, sem traumas, sem depressões, numa paz e energia de ação social invejáveis!
Nunca podemos abandonar os marginalizados, sejam eles pobres ou ricos. Um doente, por exemplo, é um necessitado, mesmo sendo rico! Um dia não haverá mais necessitados, como diz S. Paulo, e “Deus será tudo em todos” e, como acrescenta Sto. Agostinho, não haverá mais desejos, porque Deus é tudo o que uma pessoa pode desejar!
Alguns dizem: “os pobres são assim porque são preguiçosos” A preguiça dos pobres muitas vezes vem da má alimentação. Não basta dar dinheiro, mas é preciso remover o empecilho que os impedem de viver uma vida mais tranquila.
Alguns vendem os alimentos recebidos pelas entidades sociais para comprarem drogas, cigarros, bebidas... É uma realidade triste, mas também um desafio real: transformar as más inclinações das pessoas. Tarefa difícil, que só se consegue com os mutirões de ações, em que todas as facetas das pessoas sejam abordadas. Os cursos rápidos de capacitação também são eficazes, como corte e costura, tricô, crochê, marcenaria, pintura, de pedreiro, padeiro etc.
Jesus nunca deu dinheiro aos pobres de seu tempo: deu-lhes alimento e a cura, para que pudessem ganhar o próprio sustento. Como diz o Pe. René Voillaume em seu livro “Irmão de Todos” (nós publicamos um resumo no site), Jesus curou apenas algumas pessoas, encontrou-se com algumas outras, mas nunca agiu para multidões. Aliás, ele próprio era pobre!
Outro problema é não dar apenas a promoção material, mas também e especialmente a espiritual. Não adianta nada promover o pobre e deixá-lo ateu ou sem a palavra de Deus! Seria bom que ele participasse de algum pequeno grupo da comunidade, onde poderia ser melhor ajudado e promovido. Aliás, precisamos tentar criar mais os pequenos grupos, a fim de que essas pessoas possam sentir-se bem, mais à vontade, do que na multidão.
Se assim agirmos, a luz de Deus resplandecerá sobre nós. Muitos pobres não frequentam a Igreja (com i maiúsculo e minúsculo) porque lá não se sentem à vontade. Essa é uma grande verdade!
O sistema evangélico é menos “pesado” que o católico e atrai, por isso, mais pessoas. Precisamos “desburocratizar” nossas comunidades, deixá-las mais acessíveis! Formar mais comunidades de base nos bairros! Aliás, temos muita coisa nesse sentido, mas quase não são conhecidas, ou muitas vezes limitam-se à ação política e acabam deixando a vida de oração de lado, muitas vezes passando a confiar mais na força física ou mental do que no auxílio divino. Se os evangélicos conseguem, por que não nós? Deus por acaso não é Todo Poderoso? Quem o segue pode passar fome? Ou você duvida?

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR


PARADIGMAS: 06- JOIO, TRIGO, OU AMBOS?


É costume entender a parábola do trigo e do joio como Jesus  a explicou, mas sem aplicá-la à nossa vida de hoje (Mt 13,24-30 e 36-43).

Na parábola Jesus disse que há os bons e os maus que vivem juntos até o Juízo Final, onde serão separados os bons (o trigo) dos maus (o joio).
O problema é que mesmo entre nós, cristãos, não há pessoas totalmente boas e pessoas totalmente más. Eu costumo dizer que todos nós somos um pouco trigo e um pouco joio. Alguns são mais trio que joio, outros, mais joio que trigo.
Se nós combatermos o “joio” dentro de nós de tal forma que no dia de nossa morte o trigo (o bem que praticamos) prevaleça e esteja dominando a parte má (o joio), vamos ser “colhidos nos celeiros celestes”.
Não é um tanto preconceituoso e orgulho dizermos “Eu sou trigo” e apontarmos o dedo para um outro coitado que talvez nunca tenha recebido educação alguma e dizer: “ele é o joio”? Aliás, essa era a maneira com que os fariseus e as demais autoridades judaicas tratavam os outros, e isso era muito criticado por Jesus!
Tenho percebido muita coisa boa em pessoas aparentemente más e até desprezadas pela sociedade. Algumas dessas pessoas foram, aliás, amigos e amigas mais benéficas para mim do que muitas outras que se diziam “puros trigos”!
Em Atos 13,50 lemos que foram “mulheres piedosas” que expulsaram Paulo de Antioquia da Pisídia. As mulheres não religiosas ou não piedosas não lhes fizeram mal algum!
Os ateus, considerados “joios” por muitos, são, geralmente, muito humanos e condoem-se pelo mal alheio. São geralmente ótimos ouvintes de nossas queixas e sempre tentam um conforto imediato para nossas dores, ou seja, agem com prontidão.  São Tiago diz, a esse propósito, que não adianta nada a gente despedir com uma bênção quem pede comida, e não lhes dar nada!
Em Mateus 25,31-46 (o julgamento final), vemos como nem todos os que considerávamos bons eram trigo e nem todos os que considerávamos maus  eram joio. Vejam por exemplo o  Betinho, que se declarava ateu, como ajudava as pessoas! O Leonardo Boff dizia que o Betinho iria recusar entrar no céu até que todos entrassem!
Na ditadura militar houve, numa cidade do interior, uma “desova” de  um ônibus cheio de menores de rua, completamente nus. Sabem quem os ajudou? Não foi nem o prefeito, nem o padre, nem o pastor evangélico: foram as prostitutas de uma pequena vila em que moravam. Conseguiram roupas e alimento para todos. Os demais cristãos “puros” ficaram de fora, por medo dos militares. Aliás, não é isso que Jesus fala, quando diz que as virgens sem óleo, mesmo sendo virgens, não entrarão nas bodas (=o paraíso).
Eu já me emocionei várias vezes na vida ao ouvir “pérolas” de pessoas consideradas “joio” pela sociedade. Muitas delas rezam para dormir e, por contradição, até mesmo antes de cometerem seus crimes! Por aí, percebam como não entendem nada do que seja ética, moral, nem a oração e o contato com Deus!
Os padres têm muitas vezes uma parcela de culpa (olhem como estou sendo bonzinho!) na não integração das pessoas na vida da Igreja. Um conhecido meu cometera muitos crimes e resolveu mudar de vida. Procurou um padre (ele morava em Guaratinguetá) para confessar-se, mas o padre nada lhe disse, e só pediu que ele rezasse um Pai-nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai. O rapaz queria uma orientação, um caminho, uma luz. Não a obteve, até que se encontrou com as Testemunhas de Jeová, que lhe deram essa orientação. Atualmente ele é um dos maiores militantes dessa religião.
Um pouco de mal pode prejudicar todo o bem que fizemos. A pastora norte-americana Joyce Mayer diz que certo dia fez um bolo e, como brincadeira, falou para os filhos que havia posto uma pitadinha só de cocô de cachorro no bolo. Resultado: ninguém quis comê-lo! Assim é, também, a calúnia ou o mal: estraga tudo o que a pessoa fez de bom!
Lembro, então que todos nós somos um pouco de trigo e de joio. Pela oração, pela vigilância, caridade, humildade, trabalho árduo, podemos erradicar o joio de dentro de nós e fazermos florescer o trigo.
Se tantos santos e santas o conseguiram, por que não nós? Efésios 3,20, garante que “Deus é poderoso para fazer por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos”! Meu Deus, que coisa bonita!

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR

PARADIGMAS: 07-TEMPERAMENTO E CARÁTER


Temperamento é o conjunto de tendências com o qual a gente nasce. Antigamente (anos 60) costumava-se detectar quatro tipos principais de temperamentos: colérico, fleumático, introvertido e extrovertido. Vi na internet, entretanto, que atualmente costuma-se dividir o temperamento nos mesmos quatro tipos, mas com os nomes diferentes. Vou deixar o link aqui para que você possa fazer o teste sobre qual ou quais temperamentos você tem:
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Teste Temperamento

Cada pessoa, seja criança, jovem ou adulto, tem o seu próprio temperamento e isso influencia  praticamente  todas as áreas da sua vida.
Existem quatro grandes grupos de temperamento: sanguíneofleumáticocolérico e melancólico. Por norma, cada pessoa tem um ou dois tipos de temperamento que são dominantes, mas todos temos um pouco de todos os temperamentos. Existem ainda combinações de temperamento, por exemplo, colérico-melancólico ou fleumático-sanguíneo.
Este teste ajuda-o a identificar qual o seu temperamento dominante assim como os secundários, permitindo-lhe também conhecer um pouco mais sobre cada um e qual a sua combinação natural.
Faça o teste para saber qual o seu temperamento e leia outros artigos sobre as principais características de cada um.
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(continuando com nossa conversa)
Já o caráter é o conjunto de atitudes que construímos em nós corrigindo ou melhorando nossos temperamentos. Um “homem de caráter” é uma pessoa que consegue dominar suas más tendências e criar em si tendências boas, que repercutam bem e de modo positivo na sociedade ao seu redor.
Desse modo, o colérico vai aprender a se controlar com o fleumático, o introvertido vai aprender a se expressar com o extrovertido. Entretanto, o fleumático vai aprender a reagir melhor aos acontecimentos, com o colérico, e o extrovertido vai aprender a se aquietar mais com o introvertido. E assim por diante.
Formamos o nosso caráter:
1- Por meio da oração diária
2- Por meio do autoconhecimento, para nos conhecermos melhor e captarmos humildemente as nossas deficiências.
3- Combatendo as nossas partes negativas
4- Consultando pessoas com conhecimento no assunto e as que vivem conosco e sabem de nossos defeitos.
5- Treinando nossa força de vontade com pequenas renúncias. Exemplo: ao receber uma carta ou qualquer coisa, não a leia ou não abra o pacote imediatamente: leia-a ou abra o pacote alguns minutos depois. Comer algo de que não gosta (mas que não lhe faça mal). Controlar os doces e as bebidas, as guloseimas, a tevê, a internet, o celular... Levantar-se a uma hora determinada e que não seja muito tarde. Fazer algum exercício de alongamento diariamente, e uma caminhada. Lavar as louças que suja, não as deixando para outra pessoa lavar para você. Lavar as próprias roupas de baixo e as meias (claro que diariamente). Andar a pé num percurso não muito longo, em vez de ir de carro ou tomar o ônibus. Nunca pedir que sua esposa ou que seu filho pegue isto ou aquilo para você. Eles não são seus empregados: levante o traseiro do sofá e vá você mesmo pegar! Etc.
Evite fazer coisas supérfluas e até perigosas moralmente falando. Cuidado com a internet! Não perca muito tempo com baboseiras, mesmo na tevê. Não sei como muitos gostam daquele ridículo “zap-zap”, por exemplo!
Os celulares estão nos deixando (“nos” não, porque o meu é desses de cinquenta reais) mais superficiais e vazios, com menos conteúdo. Sei de um padre que parou de celebrar a missa para atender o seu celular. Pode isso??? Jesus deve ter “adorado” a atitude dele!
Fixe para você mesmo algum tempo de oração e leitura espiritual (principalmente da bíblia) e seja fiel a esse horário.
Muitos santos formaram um caráter santo em cima de um temperamento difícil. Exemplos:
S. Francisco de Assis: tinha horror a pobres e leprosos
S. Francisco de Sales- era colérico e tornou-se o santo da paciência
S. Vicente de Paula- percebeu que era burguês e tinha muitas coisas quando precisou fazer uma mudança de casa paroquial: foram necessárias dois carroções para transportar. Daí em diante começou a ser mais pobre.
São Pedro: era colérico e até cortou a orelha de um pobre curioso que via a prisão de Jesus...
Beato Carlos de Foucauld- era milionário e tinha até uma amante francesa, pra ninguém botar defeito. Sabem qual era o nome da tal amante? “Mimi”! Deixou tudo, dinheiro, bebedeira, orgias, e foi ser eremita (sem deixar a vida ativa) no deserto do Saara, entre os tuaregues.
Santa Catarina de Cortona- era mundana, era amasiada com um rapaz e mudou de vida, quando encontrou o corpo tão belo dele putrefato. Tornou-se santa. Uma coisa curiosa é que seu corpo está até hoje intacto, como para nos mostrar que Deus a perdoou plenamente. Veja sua história e seu corpo intacto neste link (vale a pena):

A SANTIDADE
1ª Pedro 1,16: “Sede santos porque eu sou santo (diz o Senhor)”. e no versículo 15- “Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”.
Passemos a nos “enxergar” melhor com o que as pessoas veem em nós, de modo muito humilde. Aceitemos nossos defeitos e combatamo-los, a fim de nos tornarmos pessoas de caráter. Essa é a base da santidade, a que Santa Catarina de Sena e outros santos chamam de “autoconhecimento”.
Para ser santo não é preciso mudar de endereço ou se internar num convento, ou coisa parecida com isso, a não ser que se perceba que se tem uma vocação para esse tipo de vida.
O próprio trabalho que se faz é um caminho de santidade, se o fizermos com amor e alegria. Entretanto, há certos tipos de trabalho quer não se alinham com a santidade: os que se baseiam-no pecados na não observância da lei de Deus. Quem quiser se santificar, deve, então, abandonar esse trabalho desonesto.
Um exemplo de disparate no caminho da santidade é de algumas pessoas que, já na quarta ou quinta união conjugal, dizem que Deus “vai me preparar uma esposa”. Ora, o próprio Jesus disse que abandonar a esposa para se unir à outra é adultério! Como é que ele vai ajudar o dito cujo a pecar? Ou essas palavras de Jesus foram inventadas?
Outra coisa que não dá certo é o que fez o Pai da Igreja Orígenes: ele seguiu à risca Mateus 5,29: “Se teu olho for ocasião de pecar, arranca-o e o joga fora”... etc. Ele castrou-se! Por isso não foi canonizado.  A santidade é baseada na luta pessoal, com o auxílio divino. Foi por isso que Jesus disse: “Eu não vim trazer a paz à terra, mas a espada!” (Mateus 10, 34).
Eu cheguei à conclusão que podemos nos santificar no mesmo ambiente em que vivemos, bastando aumentar nosso tempo de oração. É a base dos “Eremitas de Jesus Misericordioso”, em que as pessoas ficam onde estão, mas se comprometem a orar pelo menos 2h 24m diariamente (que é o dízimo de 24 horas) e seguir um tipo de regra. Se você está interessado (a), veja as regras no site Vivendo Nazaré ou no blog Eremitas ...., cujos links se encontram neste site (ou blog).
MAS VEJA BEM!
Tanto viver no próprio ambiente como querer sair dali podem ser pura ilusão da pessoa. A motivação para alguém abandonar o ambiente em que vive para procurar outro ou não ir a algum outro e permanecer onde vive, pode ser uma terrível ilusão, se a pessoa estiver buscando a si própria, ou mesmo buscando “sombra e água fresca” e não Jesus Cristo e seu Reino.
Nossa motivação para sair em busca de uma vida religiosa ou de qualquer outro tipo, em outro lugar, não deve ser por enfado à vida que se leva, ou porque vivemos com pessoas chatas e uma vida pobre.
Do mesmo modo, querer viver onde se mora, quando se tem uma vocação missionária ou religiosa, pode ser simplesmente preguiça ou falta de coragem para seguir o chamado de Jesus.
Em ambos os casos devemos agir pensando em seguir Jesus e o seu Reino, e isso inclui a misericórdia e o trabalho incansável para que o irmão seja feliz.
As fugas não levam a nada, porque nós nos levamos conosco! Não há como fugirmos de nós mesmos, nem de Deus! (Salmo 138/139).


A melhor forma de santificar-se é o viver o AQUI E O AGORA. Viva bem o momento presente, que o seu futuro vai ser bom também. Se vivermos pensando no passado ou no futuro, não vamos viver o momento presente e, portanto, não vamos ter nem futuro nem passado (o passado de amanhã é o hoje que vivemos agora).


PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR

PARADIGMAS: 08-DEIXAR-SE AMAR

Não só amar, mas deixar-se amar: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir-me a porta, cearei com ele e ele comigo” (Apoc 3,20). Deixar que Jesus entre em nossa vida e nos ame!

Quando nós amamos, procuramos as pessoas por mim amadas quando e como julgar necessário; quando nos deixamos amar, são as pessoas que nos procuram quando e como acharem necessário, e é aí que se encontra a dificuldade; às vezes não estamos muito dispostos a ouvir ninguém, nem atender ninguém!
Eu recebia, às vezes, a ligação de um vigia noturno que frequentava a paróquia, que me acordava às 2 ou 3 horas da madrugada. Tinha medo de ser assaltado e ficava meia hora falando comigo. Eu apenas o ouvia, quase não dizia nada, mas ele se contentava com isso.
S. Pedro disse a Jesus: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (como quem diz: e quero continuar “numa boa”) (Lucas 5,8).
“O meu jugo é suave, o meu peso é leve”. (Mt 11,30). Percebam que Jesus pede que nós o deixemos amar-nos, mas isso vai ter um preço: o seu jugo. Mas é um jugo suave, um peso leve.
Adão e Eva cometeram a mesma besteira: não quiseram deixar-se amar por Deus. Quiseram ser “os donos dos seus próprios narizes “ e deu no que deu.
Jesus, pelo contrário, não fez sua própria vontade, mas deixou-se amar pelo Pai e por nós. Deixar-se amar por Deus é, como Jesus fez, fazer a sua vontade plenamente, seja ela qual for, porque confiamos plenamente em Deus e sabemos que ele só vai fazer e querer o bem para nós.
Referindo-se a outras pessoas, sempre tomemos cuidado para que ela (s) não queira (m) exclusividade em nossa amizade e coloquemos um limite em suas atitudes. Há casos de apegos doentios que devemos evitar.
Deus nos ama com um amor eterno (Jeremias 31,3).Tudo o que temos que fazer é deixar que ele nos ame como e quando ele quiser. Ele vai nos conduzir à luz da Verdade, mesmo nos permitindo horas difíceis, e teremos sua companhia no céu, para sempre. 

PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR


PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR


Há uma ideia (um paradigma) de que a felicidade só é possível se estivermos em primeiro lugar. Jesus Cristo desmente isso, pois ele ocupou o último lugar, que nunca lhe será tirado, e sempre foi feliz.
Um doente grave está em último lugar, assim como um preso, ou um pobre que vive na miséria.
O Beato Carlos de Foucauld escreveu a “oração da confiança” em que pede o que sobrou, o que ninguém pediu a Deus. Ele ali não pede nem riqueza, nem fama, nem poder, nem saúde, nem tranquilidade, nem o êxito, mas pede a insegurança, a inquietação, a luta e a tormenta. Mas pede também a coragem, a força e a fé para enfrentar tudo isso que está pedindo.
Ora, um presidiário que busca a Deus não precisa rezar essa oração, porque ele já vive tudo isso em sua vida de prisioneiro! Ele se encontra no último lugar da sociedade. Não é mais nem cidadão; não pode ir e vir; não ode escolher o que comer; sua saúde depende de uma alimentação precária e insuficiente. Suas atualizações sociais e políticas limitam-se ao que ele vê na tevê. Geralmente falta psicólogos para o orientarem. Muitos saem piores do que quando chegaram. O dentista não trata dos dentes: só extrai. São raras as prisões em que há tratamento dentário; ou seja, o fulano é condenado também a ficar banguela.  O envelhecimento é precoce, por falta de frutas e verduras.
Uma das vantagens de estar no último lugar é que ninguém o inveja. Não se pode fazer planos; não se participa de nada. Não há trabalho digno, ou mesmo indigno. Às vezes a pessoa do último lugar só vegeta.
Os prisioneiros que são realmente culpados podem sentir o alívio de estarem “pagando” pelos seus crimes e podem voltar à sociedade “de cara lavada”. Para que isso ocorra, é preciso encontrarem Deus e uma comunidade eclesial, além de vigiarem muito, a fim de não caírem novamente. Os de fora se sentem “vingados” com a prisão dos que os prejudicaram e há dúvidas se os vão receber novamente.
Os que foram presos injustamente, com provas forjadas ou até sem provas, podem sentir-se reparando as faltas passadas e sentirem o amor de Cristo envolvendo-os e às suas vidas. Podem sentir uma grande paz e energia inegáveis. Jesus está sempre presente nos que estão, como ele esteve, no último lugar.
Quando promovemos os pobres e demais pessoas que estão no último lugar, devemos pensar principalmente em sua vida espiritual, não só na material.
Não basta simplesmente sair do último lugar: é preciso também buscar o Reino de Deus, converter-se das más atitudes, controlar as más tendências e buscar a santidade. Muitos apenas mudam de classe social, mas o interior deles continua mesquinho.
Colocar-se nas mãos de Deus é, mesmo sem deixar o último lugar, colocarmo-nos à disposição dele a cada dia da vida, sem desânimo e com muita confiança. Aliás, uma das coisas interessantes de se estar no último lugar é que não precisamos nos preocupar com nada, além do alimento: sem competições para cargos, sem medo das invejas, sem angústias, sem desesperos! Simplesmente somos esquecidos ali, e isso nos traz alguma tranquilidade.
O último lugar não é sinônimo de fracasso, nem de tristeza: é o conforto de se saber no mesmo lugar de Jesus na cruz, e a sensação de segurança que encontramos nele. Se lhe dermos a direção de nossa vida, ele a pilotará como nenhum outro e um dia, no céu, estaremos em primeiro lugar, com os anjos e santos. Amigos (as), acho que vale a pena!
Eis a oração da confiança:
 “Dai-me, Senhor meu Deus, o que vos resta. Aquilo que ninguém vos pede. Não vos peço repouso, nem a tranquilidade, nem da alma, nem do corpo. Não vos peço a riqueza, nem o êxito, nem a saúde. Tantos vos pedem isso, meu Deus, que já não vos sobra para dar. Dai-me, Senhor, o que vos resta, dai-me aquilo que todos recusam. Quero a insegurança e a inquietação, quero a luta e a tormenta. Dai-me isso, meu Deus, definitivamente. Dai-me a certeza de que essa será a minha parte para sempre, porque nem sempre terei a coragem de vô-la pedir. Dai-me, Senhor, o que vos resta. Dai-me aquilo que os outros não querem. Mas, dai-me também a coragem, a força e a fé.” (Carlos de Foucauld).


PARADIGMAS: 09- O ÚLTIMO LUGAR