sexta-feira, 21 de abril de 2017

AO COMUNGAR, CUIDADO!



03/04/2017

Precisamos ter muito cuidado ao comungarmos. Estamos recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus de modo real, verdadeiro. Não podemos deixar que partículas do pão consagrado caiam ao chão. Jesus se deixou ficar entre nós na Eucaristia de modo muito indefeso. Podemos fazer o que quisermos com seu Corpo e Sangue, mas se não tomarmos cuidado as partículas serão pisoteadas por outros. São Pio de Pietrelcina era muito cuidadoso, como se pode ver em suas missas, algumas delas filmadas. Você as pode ver no You Tube, mas eu vou deixar aqui um link. Copie esse link e o cole na janela de pesquisa do you tube. É a última missa de São Pio de Pietrelcina e você pode ver com que devoção ele comungava e tinha cuidado com as partículas. 

blob:https://www.youtube.com/9f8b817a-6a2d-4809-b5af-58d655d5309b 

Ademais, se o corpo dele está ainda incorrupto, é porque Deus gostava dessas atitudes dele.

Outro cuidado na comunhão é estar em estado de graça, ou seja, sem pecado grave. Os pecados leves são perdoados no ato penitencial, e é por isso que eu insisto em nunca chegar atrasado (a) à missa. Quem perde o ato penitencial não deveria comungar!

São Paulo fala no capítulo 11 da carta aos coríntios que os que comungam indignamente são réus do Corpo e do Sangue de Cristo. Veja por você mesmo(a)1ª Coríntios 11:26-30:

“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram”.

Vejo muitos artigos, na internet, condenando a comunhão na mão, como a do bispo Athanasius Schneider, que você pode assistir colando este link na busca do you tube: https://youtu.be/1grq2tHNPp8 . O problema é que comungar na mão é algo irreversível, ou seja, acredito que nunca mais voltará a comunhão diretamente na boca, pelo menos na maioria das igrejas, ainda mais com esse perigo de contágio de doenças atuais.

A solução é uma instrução maior por parte dos senhores párocos. Vejo aí a solução para o caso. Que ensinem os paroquianos a tomarem cuidado com a sagrada partícula. Muitos dizem que Jesus não teve nenhuma preocupação com as migalhas do pão que ele consagrou, mas acho que isso não é desculpa. Se acreditamos que o pão consagrado é o Corpo e o Sangue de Cristo, temos que tratá-lo com todo o cuidado e reverência que Jesus merece. Eu particularmente acho muito constrangedora a comunhão diretamente na boca, além de facilitar a falta de higiene e ser perigosa quanto ao contágio de doenças. 

DIA 25 DE MARÇO



Eu já falei sobre a Encarnação de Jesus num artigo de 26/11/2011 (se você clicar na data vai poder lê-lo ou relê-lo). Hoje eu quero falar sobre a data em que comemoramos essa festa, nove meses antes do Natal, seguindo o tempo da gestação humana.


Dia 25 de março talvez não seja a data correta da anunciação do Anjo à Maria, e consequentemente, a encarnação de Jesus, pois não sabemos o dia real em que Jesus nasceu. Dia 25 de dezembro foi convencionado para combater o culto ao deus Sol dos romanos, no início do cristianismo. Jesus é o verdadeiro Sol, a fonte da verdadeira luz.


Entretanto, nesse dia (25 de março) era comemorado, na antiguidade, segundo cálculos complicados, a data da criação do mundo e da crucifixão de Jesus. Quem conta isso é o missal cotidiano, no dia da festa. Assim lá está escrito:


“Não foi apenas uma preocupação da exatidão cronológica que contribuiu para fixar a festa da Anunciação nove meses antes do nascimento do Senhor; cálculos eruditos e considerações místicas fixavam igualmente em 25 de março a data da crucifixão de Jesus e da criação do mundo”. (cf missal cotidiano, comentário inicial do dia 25 de março).


Pelo sim ou pelo não, a importância da data está no fato de que não foi no Natal que Jesus veio ao mundo, mas sim, nove meses antes, na data de sua encarnação, que comemoramos nesta data. Quando ele nasceu, já era um ser humano e já estava no mundo havia nove meses! Acho, portanto, que é uma data muito especial, tanto quanto à do seu nascimento.


Ao encarnar-se, Jesus, que até então era a Palavra de Deus, o Verbo de Deus, tornou-se carne: “E a Palavra (=o Verbo) de Deus se fez carne e habitou entre nós” (João1,14).


É impressionante também o trecho do livro da Sabedoria aplicada à encarnação de Jesus, embora os eruditos achem que se aplicaria mais à segunda vinda dele. É Sabedoria 18,14-15:


“Quando um tranquilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio de seu curso, a tua palavra onipotente, vinda do alto do céu, do seu trono real, precipitou-se como guerreiro impiedoso, no meio de uma terra condenada ao extermínio”.


Jesus veio salvar, não exterminar, mas um dia voltará, não como uma semente minúscula no útero de uma virgem, mas como juiz, para nos dar o prêmio prometido durante todos os séculos que o mundo terá durado, ou aquilo que escolhemos durante o tempo de nossa vida. Se escolhemos o bem, a glória eterna. Se escolhemos o mal, a perdição eterna.


Muitos não acreditam nisso e acho que nem chegaram até este ponto do texto. Mas ainda há esperança para todos nós. Basta nos “humilharmos sob a poderosa mão de Deus” (1Pe 5,6) e pedirmos perdão. O importante não é o pecado, mas pedir perdão dele a Deus, reconhecer os pecados. O maior pecado, contra o Espírito Santo, é não pedir perdão, ou porque achamos que não pecamos ou porque achamos que Deus não vai nos perdoar.





Vinte e cinco de março. Olhem quanto pano pra manga esse dia nos dá para meditar! Jesus deixou o céu para viver aqui na terra e, se isso não bastasse, deixou-se ficar por aqui na forma da Eucaristia. Ele nos ama infinitamente, pois é 100% Deus e 100% homem, e não quis ficar ausente de nós. Que pena que muitos não acreditam na presença real de Jesus na Eucaristia! É uma encarnação perene, à nossa frente, e que muitos rejeitam. Você já viu o milagre de Lanciano? Clique no link e veja, se ainda não viu. A hóstia e o vinho consagrados são, na verdade, esse mesmo Jesus que se encarnou numa data desconhecida mas que comemoramos no 25 de março. Que data maravilhosa!




Da irmã Maria Helena Silva de Sena:




(revisada por um amigo)


Era 25 de março, dia da Anunciação do Anjo a Maria e eu estava passando por um momento difícil . Senti, então, Jesus me mostrando o que aconteceu no dia da Anunciação do Anjo, ou seja, no dia de sua Encarnação aqui na terra:

“Hoje eu entrei como numa sementeira no útero de minha mãe, fiquei ali por nove meses e nasci. Assim também acontece com a natureza: o trigo entra na terra, um simples grãozinho, nasce, cresce e é colhido, é moído, vira farinha. O mesmo acontece com a uva: entra como um grãozinho, cresce, dá o fruto, é esmagada, moída, curtido e se transforma em vinho. Eu nasci, cresci, fui esmagado, crucificado, morto, mas ressuscitei. Agora isso está acontecendo com você: nasceu de uma semente, cresceu, está sendo amassada, pisoteada, mas isso é preciso para se santificar”.

Eu fiquei encantada com essa maravilhosa meditação. Foi um momento muito lindo, que não dá para descrever. Todo sofrimento equivale a esse processo de purificação do fruto, a fim de que possa servir melhor. O sofrimento é a nossa purificação, o esmagar do fruto, a fim de que dali possa brotar uma santidade agradável a Deus. Diz Hebreus 12, 10, que Deus permite o sofrimento na nossa vida “ Para que possamos nos purificar a fim de que Ele possa nos transmitir sua santidade”.

IMITANDO VERÔNICA




(set 2016)

Ao meditar a Via Sacra deparei-me com uma coisa que resolve muitas de nossas dúvidas: se não podemos evitar a crucifixão de Jesus, como os que acreditaram nele e o seguiram na Via Crucis, pelo menos imitemos Verônica, enxugando seu rosto, confortando-o na caminhada para o Calvário.

Todos estamos também carregando a nossa cruz, seguindo Jesus, ao atendermos seu pedido: “Quem quiser vir após mim, pegue sua cruz e me siga!”(Mateus 16,24). Ele não disse: “Vá à minha frente”, ou “Vá ao meu lado”, ou mesmo “Vá em meu lugar”. Ele disse: ‘Venha após mim e me siga”! Ele abriu-nos o caminho, ele foi à nossa frente. É como a mãe que come uma colherada da sopinha que está dando ao filho para que ele veja como é gostosa e vai-lhe fazer bem.

Jesus disse, também, que se quisermos fazer-lhe algo, façamos ao pobre, ao necessitado. Aí está a nossa resposta: enxugamos o rosto de Jesus quando enxugamos os de nossos irmãos e irmãs desamparados.

Como fazer isso?

Ora, há tantos que sofrem por aí, aos quais nada podemos fazer além de consolar, confortar, diminuir os sofrimentos. Por exemplo, os doentes incuráveis. Tenho um amigo testemunha de Jeová que está com câncer e a quimioterapia está fazendo muito mal a ele. Eu sempre lhe digo: “Peça à Mãe que o Filho atende”! Ele sorri, mas eu sei que ele talvez nunca faça isso. Se fizesse, talvez Maria conseguisse para ele a graça da cura.

Se esperarmos o “poder” de curar todo mundo, tirar todos da miséria, reunir os separados, nada faremos! Nunca o conseguiremos!

Portanto, mãos à obra! Não hesitemos em animar os desanimados, dar algo para o faminto comer, dar um abraço nos solitários e tristes, chorar com os que choram... São Paulo não nos pede para fazer calar os que choram, mas sim, nos pede para chorar com eles! (Romanos 12, 15).

Sobretudo, que tal aprendermos a ouvir? Somos acostumados a falar sem ouvir! Quando alguém nos fala sobre sua dor de perna, em vez de o ouvirmos e nos condoermos, logo conseguimos encontrar em nós mesmos alguma outra dor maior do que a dor de perna dele e a comentamos!

O correto seria ouvir a pessoa, comentar a dor de perna dele, e, se fosse o caso, aí, sim, poderíamos exemplificar o fato com a nossa dor.

Muitas vezes a pessoa não quer soluções, mas apenas alguém para ouvir as suas queixas, alguém para desabafar suas mágoas! Só pelo fato de o (a) ouvirmos, ele (ela)sentirá uma melhora em seu problema.

Ser como Verônica! Ela não podia evitar a morte de Jesus, mas confortou-o com o que tinha às mãos: um pedaço de pano, segundo a bela tradição oral, recebeu a marca do rosto de Jesus.

Confortando os que precisam de um conforto, estaremos recebendo a marca da face de Cristo em nossa mente e em nossa alma, e isso nos dará a força necessária para pegarmos novamente nossa cruz, se a deixamos cair, e seguir Jesus no caminho do Calvário que, na verdade, é o caminho da Salvação.

O EREMITA DE MINAS


12/10/16



Eu já era sacerdote quando resolvi passar alguns dias em Minas Gerais. Fiz isso, depois, várias vezes. Não me recordo das datas, mas acho que foi no final dos anos setenta.

Peguei o ônibus e desci numa cidadezinha no meio do mato, poucos habitantes. Perguntei o caminho para o casebre do eremita meu amigo, que morava lá, e mo indicaram. Foram 6 km de caminhada, pouco mais de uma hora e meia. Era só subida!

Parei num casebre, cansado, e perguntei sobre ele. Disseram-me onde era sua cabana. Finalmente o encontrei. Ele veio encontrar-me no portão.

Casebre gostoso, com quatro cômodos, feito de madeira. Dois quartos, uma cozinha e uma capela. A sala era na cozinha. Fogão a lenha. Chuveiro frio, feito com uma lata de 20 kg, com a opção de tomar banho na vertente, vinda da montanha, água geladíssima, em pleno mês de janeiro.



Quatro horas da tarde. Ouvia-se os macaquinhos fazendo barulho na mata ali vizinha, e muitos bichos barulhentos. À medida em que avançava a noite, alguns silenciavam, outros começavam o barulho.

Voltei do banho na vertente, ajeitei minhas coisas numa cadeira no quarto de hóspedes e sentamo-nos na cozinha para pormos a conversa em dia. Eu conhecera o eremita num mosteiro, também em Minas, igualmente no alto de uma outra montanha. Ele ansiava, naquele tempo, viver como eremita e assim o fez.

Lembro-me com muito pesar que, numa de minhas visitas ao mosteiro, ao capinar uma área frontal como lazer, cortei inadvertidamente um pezinho de pinheiro que era o xodó do meu amigo. Recordamos esse fato e rimos.

Às cinco e meia nos recolhemos à capela e rezamos as Vésperas. A seguir, fomos à cozinha para jantar. Ele esquentou a comida que fizera no almoço, fez salada com folhas que ele mesmo plantara e fritou ovos. De sobremesa, uma marmelada feita numa fábrica ali perto.

Cansado que estava, recolhemo-nos aos nossos quartos cedo, lá pelas 20 horas, após rezarmos as Completas. Eu o ajudei a arrumar a cozinha.

Rezei o terço e logo fui dormir. Não quis gastar velas, e por isso não li nada. Lá não há energia elétrica.

Levantei-me às cinco horas, com o chamado do Irmão eremita. Como ele não era padre, eu celebrei a Santa Missa e continuamos com um momento longo de oração, leituras e meditação. Depois rezamos as laudes (oração da manhã), e após isso tudo fomos à cozinha para tomar café. Gostei do pão que ele fez, e do mel puro, que ele conseguia no sítio vizinho. O leite também era obtido no mesmo sítio.

Dormi a noite como havia tempos não dormia, apesar do barulho da bicharada da floresta.

Falei um pouco sobre a minha vida daquela época, de pároco de cidade grande (eu morava em São Paulo), e ele falou-me sobre a vida que levava ali. Visitava as famílias, sobretudo os pobres e doentes. Um (a) eremita não pode isolar-se da comunidade onde vive. De jeito nenhum!

Depois do café saímos para conhecer o lugar. Vi sua horta, seu pomar e as redondezas. Voltamos às 10 horas, rezamos o ofício das 9 hs e eu o ajudei a fazer o almoço. A mistura foi batata doce frita, pois ele não come carne.

Uma vida muito sacrificada, com muitas renúncias, o que levou-me a pensar se isso não o levaria a abandonar tudo algum dia. A gente consegue viver de modo sacrificado um certo tempo, e se tiver acompanhante(s), mais tempo. Entretanto, para viver sozinho é preciso muita vocação e determinação. Não são todos que aguentam.

Após o almoço fizemos uma sesta e visitamos um doente no sítio vizinho onde ele comprava o mel e o leite. O doente era o esposo da senhora que nos atendeu. Ele pagava tudo com capinagem e serviços afins, pois o dinheiro era artigo difícil naquelas paragens.

Na volta, ajudei-o a aguar as plantas e a mexer com uma e com outra, e só paramos às 15 horas, para a oração das 15 e comermos algumas frutas próprias daquele lugar.

No dia seguinte escalamos um monte nas cercanias. Gostei muito. Lá do alto se via o horizonte montanhoso de Minas, um cenário magnífico.

À tarde voltei para a cidadezinha pelo caminho mais curto, de 4 km, ao lado do córrego formado pela vertente em que tomei banho, e consegui tomar o último ônibus.

Minha impressão foi de muita solidão, solidão dilacerante e perigosa. Acho que não dá certo morar assim tão sozinho. Esse meu amigo, uns três anos depois, acabou abandonando a vida eremítica e casou-se. Atualmente trabalha na prefeitura de uma cidade pequena, como assistente de educação.

Eu lhe escrevi várias vezes, mas percebi que aos poucos ele ficou muito diferente no tratamento. Já não havia mais aquela doçura espiritual de quando ele era monge eremita. Sua espiritualidade tornou-se um tanto materializada.

São Basíio, São Bento e Thomas Merton desaconselhavam a vida eremítica, dizendo que a cenobítica (em comunidade) era melhor. Precisamos viver e aprender a viver em comunidade, sem deixarmos, é claro, a vida de oração, e, se for de nossa vocação, uma vida de oração mais intensa.

Quero lembrar que Jesus não foi eremita todo o tempo. Passava longo tempo em oração, mas viva, como em Nazaré, em família, e depois com os discípulos. 

CONFIAR NO PERDÃO



Parece que não acreditamos quando lemos na bíblia e ouvimos da Igreja a grande verdade de que Deus perdoa realmente as nossas faltas e se “esquece” delas. A condição, entretanto, é que nós não as cometamos mais! Não adianta pedir perdão e não lutar para não mais pecar. Se fizermos isso, nosso perdão está garantido, os pecados pertencem ao passado, que não mais existe. Não desconfie do seu perdão, perdoe-se a si mesmo, perdoe aos demais, lute contra o pecado.

Temos tanta vergonha de falar ao padre nosso pecado! Aliás, muitos nem se confessam direito, por conta dessa vergonha, o que só nos trará problemas diante do “tribunal” divino.

A sinceridade ao pedir perdão é o mais importante para sermos perdoados. Se não os cometermos mais, não precisaremos relatar aquilo outra vez a ninguém! Perdoado é perdoado, esquecido! Acho que lutar é sacrificante, mas compensador, pois não passaremos mais vergonha!

Tenha coragem, vá a um padre, conte tudo o que você fez de errado, sem esconder nada, e tudo o que deveria ter feito de bom e não o fez! E confie no perdão.

Perdoar aos outros é outra condição essencial. Quem não perdoar, não será perdoado. Veja, então, o que a bíblia fala do perdão divino!

Diz o Beato Carlos de Foucauld: “As faltas passadas não me assustam; (...) Deus perdoa porque Ele apaga até as manchas e torna à sua plenitude a nossa beleza primeira”.

Miquéias 7,18-19: Deus vai atirar no fundo do mar os nossos pecados, após havê-los pisado.

Isaías 38,17: “Tu preservaste a minha alma do abismo do nada. Lançaste atrás de ti todos os meus pecados”.

Jeremias 7,1-11: “Vocês matam, pecam, e depois vêm ao templo, acham que está tudo certo e continuam a vida de pecado!” De Deus não se zomba! O arrependimento deve ser sincero.

João 8,10- Jesus pede à pecadora que não peque mais.

João 5,14-“não peques mais para que não te suceda algo pior” (=o inferno).

1ª Cor 10,13- Deus não permite que sejamos tentados acima de nossas forças. Ele nos dará os meios e a força para sair das tentações ou suportá-la (não há desculpa para o pecado).

Tiago 1,14- nem sempre é o demônio que nos tenta. Às vezes é nossa própria concupiscência!

Tiago 1,12- Suportar com paciência a provação, para recebermos a coroa da vida, que o Senhor concede aos que o amam.

Isaías 65,17- “As coisas de outrora não serão lembradas”.

Isaías 43,18-19- “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos!” (Perdão recebido, vida nova!)

Fil 3,13-14- Esquecer do que fica para trás e lançar-se para o que está na frente.

Mateus 6,14-15 e Col 3,13- Perdoar para ser perdoado.

Mateus 18,21-22- Perdoar sempre, sem medidas.

1ª João 4,18- Não há temor no amor. Por que ter medo, se fomos perdoados?

Isaías 55,6-7- Procuremos Deus enquanto Ele se deixa encontrar e nos perdoará, porque Deus “è rico em perdão”.

Hebreus 12,14- Resistir até ao sangue na luta contra o pecado.

Deixe para lá o passado e, perdoado, viva bem o tempo presente, o Agora. Habitue-se a viver o que você está vivendo neste momento. Treine-se para aprender a não pensar quando você não quiser fazer isso.

Eckhart Tolle ensina que um método: feche os olhos e, sem pensar nada, imagine os seus órgãos internos e externos; cabeça, mãos, pés, coração, fígado... Depois fixe-se no que está ao seu redor, à sua frente, ao seu lado. Contemple a natureza ou o local em que você está. Aos poucos você sentirá paz, e saberá viver uma vida nova, sem o pecado. Lute só por hoje, só por agora. Não se preocupe demais com o futuro, mas apenas com o que for necessário (Eckhart Tolle, “ O poder do agora”, ed. Sextante).

ILUSÃO E REALIDADE



03/02/16


Neste mundo vivemos entre a ilusão e a realidade. O perigo é vivermos a ilusão e descartarmos a realidade!


A primeira realidade que vejo é que vamos viver um número limitado de anos aqui na terra. A ilusão é acharmos que isto tudo é a realidade e que não existe uma vida após esta. Então, o que a pessoa faz é buscar desesperadamente ser “feliz” nesta vida, a qualquer custo. Exemplo: essas pessoas que roubaram a mais não poder, no governo e na sociedade. Todos vão morrer algum dia e deixar aqui tudo o que roubaram. O que vão apresentar a Deus? Diz São Francisco de Assis que nós só vamos levar para o céu que partilhamos, o que damos. O que recebemos, vai ficar por aqui. Uma camisa que você doa, você vai levar esse mérito para lá. Uma camisa que você ganha, vai com você no caixão ou vai ficar por aqui mesmo. 


Uma das ilusões é justamente a riqueza. Ela atrai e pode perverter. Se a riqueza fosse uma realidade em relação à felicidade, Jesus nasceria numa família rica. Ele mostrou que uma vida simples, sem muitas coisas, como a que ele viveu, é a realidade que nos salva e nos satisfaz.


Se riqueza trouxesse felicidade, os ricos não cometeriam suicídio. Não é isso que vemos! Quantos ricos se mataram com remédios e drogas, ou mesmo tirando a própria vida! Quantos pobres cometem suicídio? Garanto que o número é bem menor do que o dos ricos!


Jesus não nos pede para viver na miséria. Ele propõe uma vida simples, sem muitas necessidades, sem muitas ilusões.


Outra realidade que vejo é a caridade, a misericórdia. Não importa o que ou como as pessoas vivem. Nós vamos ajudá-las a serem felizes. Isto é a realidade, que nos levará à realidade maior, o céu. Mas não nos esqueçamos de mostrar a elas a vida mais de acordo com o evangelho. Caso contrário, a ajuda material não terá muito sentido. Dar o pão material, mas sem esquecer o espiritual. Mais do que “dar o pão”, deixar aquela família em condições de poder comprar o pão diário. É o que os vicentinos, por exemplo, procuram fazer: promover as pessoas. 


Em todas as nossas atividades, mesmo na igreja, temos de ver o que é ilusão e o que é realidade. Por exemplo: ir à missa dominical sem se preocupar com uma vida santa durante a semana, não é realidade; é ilusão. 


O criminoso que reza antes de cometer o crime, ou faz um sinal da cruz, estaria vivendo uma realidade?


O torcedor que faz promessa para seu time ganhar, será que Deus torce por aquele time? Se o torcedor do outro time também estiver rezando, quem Deus ajudaria? Veja que ilusão tremenda é esse tipo de oração! Você até poderia rezar, talvez, para que não aconteça nenhum acidente, nenhuma briga... isso seria realidade.


Ir à Aparecida uma vez por ano e nem ligar para a religião no restante do ano, isso é ilusão ou realidade?






Aprendamos a distinguir em tudo o que é pura ilusão e o que é realidade. A vida vai ser bem melhor, mesmo que um pouco mais sofrida. A propósito, quer ver um exemplo de ilusão do dia a dia? Se você me mostra o dedo indicador, isso é uma realidade. Entretanto, se você o agita horizontalmente, eu vejo vários dedos num só, e isso é ilusão!

CAIA NA REAL



(15/02/16)

A primeira coisa a fazer é conhecer-se. Para isso, pergunte aos que vivem com você quais são os seus defeitos e virtudes.


A segunda é aceitar-se como se é. Não adianta acharmos que somos outras pessoas! Se você tiver algum defeito físico, assuma-o, até que possa, talvez, fazer algo para eliminá-lo.


Numa conversa, não invente coisas que você não tem fez, nem minta sobre sua condição social e de instrução. Seja o que você é diante de Deus.


Se você é alcoólatra, aceite isso e aí vai conseguir ficar sóbrio. Se está envelhecendo, assuma isso! Não viva como se fosse um adolescente! É ridículo!


Tenha cuidado a quem o (a) atrai, para não trair sua esposa (esposo) ou cometer alguma besteira.


Se nunca viajou ou nunca foi à praia, não minta. Seja você mesmo (a).


Aceite a realidade como ela é. Veja a realidade a seu redor e aprenda a conviver com ela, lutando sempre para melhorá-la, é claro.


Todos vivemos num determinado lugar, mas muitos vivem num lugar mas têm a mente em outro(s). A consequência (uma delas) é que não vai viver bem nem no mundo real, nem no imaginário. É como o turista que se preocupa tanto em tirar fotos que não aproveita a viagem. Ele vai mostrar as fotos de um lugar do qual muitas vezes nem tomou conhecimento.


Para mudarmos qualquer realidade, é preciso primeiramente encará-la como ela é e aí, sim, planejar as mudanças necessárias. 


Quem não é realista vive no mundo da fantasia, sofre muito, vive alienado e cai em depressão ou em atitudes parecidas.


Depois de estudar a realidade, ver o que é bom, o que precisa ser mudado, revise as suas “armas”, o que você tem em mãos para melhorá-la, quais são as suas capacidades, suas possibilidades, a quem pode recorrer, e como as mudanças podem ser feitas, e, claro, se são possíveis. Se não são possíveis, sempre há um modo de adaptar a situação.


Nesse caso, se as mudanças são difíceis ou impossíveis, eu sugiro isto:


- Faça um círculo de amigos constantes e reúna-se sempre com eles;


- Reze (ore) várias vezes por di;


- Medite diariamente sobre um texto bíblico;


- Aproveite o que há de melhor onde você vive, se for coisa honesta e boa. Peça a Deus e converse entre vocês para vencerem o que for coisa má. 


- Assuma suas tarefas diárias com alegria ou, pelo menos, em paz, confiando na graça de Deus;


- Ocupe constantemente seu corpo e sua mente e nunca fique no ócio, ou seja, sem fazer nada, a não ser quanto estiver rezando (orando) ou meditando.


- Ofereça tudo a Deus, que o (a) ouvirá, o (a) acolherá e o (a) ajudará a transformar, se não a realidade, os corações dos com quem você vive.






E se nada disso der certo, simplesmente abra uma cerveja, ou um refrigerante, e relaxe.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

AÇÃO CATALIZADORA



2015
Nossa ação provoca a ação de Deus. Nós damos o primeiro passo para respondermos ao convite de Deus em determinada ação e Deus faz o resto.

Vemos isso em inúmeros textos bíblicos, mas veja Mateus 8,2: “ Senhor, se queres, tens poder para purificar-me!”

E, logo em seguida, em Mateus 8,5-13, o centurião confiou no poder de Jesus e teve sua iniciativa de procurá-lo. Sua confiança e humildade eram tantas que nem exigiu a presença de Jesus: “Basta, Senhor, uma palavra vossa e o meu criado ficará curado!”

Jesus sabe qual é a nossa intenção quando lhe pedimos algo. Diz o comentário da Bíblia de Jerusalém: “Jesus não pode realizar o milagre quando não encontra a fé que lhes pode dar o verdadeiro sentido, como em Mateus 13, 58: “ E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles”.

“A fé é difícil gesto de humildade que muitos se recusam a fazer, porque exige um sacrifício do espírito e de todo o ser” (comentário de Mateus 8,10).

Mais: “A fé, quando forte, opera maravilhas, alcança tudo, particularmente a remissão dos pecados e a salvação da qual é a condição indispensável” (idem).

Entretanto, devemos sempre buscar também a ajuda médica. Muitas vezes Deus nos cura a parte vamos dizer “incurável” pela medicina, da doença, mas não cura a parte “curável’ pela medicina.

Isso aconteceu com um amigo: recebeu a cura de uma parte da doença, e fez a operação para poder curar a outra parte, que era curável. Só recebeu a cura da parte que ainda é incurável.

O título deste texto se refere à ação catalizadora que exercemos na ação de Deus.

Catalizador é uma substância que provoca a reação da outra, como aqueles dois tubinhos de cola que vêm juntos: um deles só cola se for misturado com o outro.

Desse modo, quando nos arriscamos, quando agimos, Deus também age a nosso favor. É melhor arriscar e aparentemente (é só aparentemente) não conseguir, que nunca arriscar.

Dois sapos caíram, cada um numa jarra de leite. O que se arriscou se debater, buscando uma solução, pôde sair, porque o leite, de tanto ser batido por ele, se tornou manteiga. O outro morreu afogado, pois não quis se arriscar (desculpem, não encontrei no momento outra historinha melhor).

Arriscar-se nos traz muitos dissabores, e mesmo a morte ou prisão, mas é o único gesto que provoca a ação divina. Lembremo-nos sempre que qualquer ação nossa de boa vontade já é uma resposta ao convite que Deus nos fez antes mesmo do nosso nascimento, como diz Jeremias 1,5ss: “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio de tua mãe eu te consagrei e te constituí profeta para as nações”. Isaías diz a mesma coisa no capítulo 40.

No Apocalipse 3,20, Jesus nos pede que abramos a porta de nosso coração, em que ele está batendo, para que possa entrar. Ele pode entrar em qualquer lugar, menos em nosso coração. Ele respeita a nossa liberdade.

VIDAS VAZIAS


16-8-13


Ainda na cabana (ver o artigo "Tempestade no Deserto"), levantei-me às 5 horas, tomei um banho e pus-me em oração. Celebrei a Santa Missa sozinho, acompanhado de sons de grilos e sapos, estes coachando numa pequena lagoa aqui perto. Os pássaros cantavam à aurora prestes a iniciar. Eu uni as orações das Laudes, o Ofício das Leituras e as orações pessoais à celebração. Terminei ás 7:30 hs. Fiz e tomei um café com leite e pão com mel: aqui há em abundância o cultivo de abelhas e a coleta de mel, feita por duas famílias que moram não muito longe daqui. 

Após o café peguei um lanche e fui escalar o monte próximo ao do Baú. Não sei o nome dele. 

Já no topo do monte, diante de uma cruz, fiz uma manhã de deserto. Muitas coisas passaram-me pela cabeça, mas uma das que mais me marcaram foi a lembrança de muitas pessoas que conheci em minha vida, em vários lugarem em que morei.

Alguns deles tinham as mentes vazias, as vidas vazias. Usavam maconha e cocaína, não tinham religião alguma, eram analfabetos e viviam arrumando encrenca. Tinham um certo complexo, nunca soube direito se era de inferioridade ou de superioridade.

Tudo o que eu falava no dia a dia era motivo de chacota ou repostas bruscas. Para dizer a verdade, eu senti pena deles. Não que eu queira me colocar num nível superior, não! Longe disso! 

O que eu sentia era pena por saber que eles não conseguiam ver Deus em suas vidas. Viviam como se uma pessoa vivesse diante de uma parede alta, e o mundo estivesse do outro lado.

Não enxergam um só palmo diante do nariz. Nunca participaram do colóquio gostoso de consolador com Deus! As coisas celestes, a bondade, a misericórdia, ficam longe de seus horizontes!

Vivem para o vício. Logo que levantam, em lugar das orações, dizem imprecações e palavrões. Que vidas vazias! Que desperdício das bênçãos divinas! Como eu gostaria que eles entrassem pelo menos um pouco na "esfera" divina!

Aqui, no algo desta montanha, sem ruído algum, num silêncio gostoso e aprofundante, olho o céu, a paisagem, sinto o cansaço da subida, e me lembro dessas pessoas que pensam que vivem a vida!

São dependentes químicos e se dizem ou se fazem de ateus. Dirigi a Deus uma oração por mim e também por eles, pois eu também tenho pecados e também fui muitas vezes ingrato a Deus. Mas a gente sabe o caminho do perdão, do arrependimento, do desejo de mudar de vida. Eles, infelizmente, não sabem. Eu disse:

"Senhor Deus, peço perdão por não ter conseguido convertê-los! Peço perdão pelo meu comodismo em viver no meio deles de modo individualista e egoísta! Perdoai-me por não ter gritado o evangelho com o testemunho de uma vida santa, como dizia o Irmão Carlos de Foucauld! Entrego-vos, Senhor, a minha vida e as de todas as demais em oração de penitência e em agradecimento. Ajudai-nos a sempre recomeçar a vida como vossos seguidores, que deixemos o vazio de nossas vidas e a preenchamos com o vosso amor!"

Nesse sentido eu tiro o meu chapéu para os crentes evangélicos. Eles conseguem convencer muitas pessoas a mudarem de vida. São persistentes e merecem o agradecimento divino. São batalhadores pela conversão e pela salvação das pessoas. Batem de mil a zero em nós católicos!


Uma brisa suave me refresca e me faz perceber a diferença com a tempestade de ontem. A subida foi difícil, pois há ainda muita lama. Estou todo sujo. Peço a Deus que não esteja "sujo" por dentro!


Só pode estar sujo quem conheceu a limpeza. Começo a perceber que esses homens de vidas vazias não estão, portanto, sujos! No vazio não há sujeira! Eles têm a falta de tudo! Por isso são mendigos que mendigam a felicidade, mas não erguem a vista e desse modo não enxergam o horizonte da felicidade.


Para isso, precisariam deixar as "muletas" a que se apóiam, como as drogas, o sexo desenfreado, a boêmia, e precisariam pedir a Deus que possam ter fé, possam crer nele e nele confiarem. O problema é que não conseguem crer em Deus, ou, como os agnósticos, não creem que Deus nos ama e cuida de nós. E talvez nós, cristãos, não nos amemos de modo suficiente a convencê-los disso!


O Beato Irmão Carlos de Foucauld rezava, quando ainda não encontrara o caminho: "Deus, se você existe, faça com que eu acredite em você"! E Deus o ouviu!

Não sei o que Deus me pede em relação a eles. Eu sou muito limitado! Limito-me a rezar e a procurar dar bom exemplo.

Mas nesse ponto eu me vejo por dentro e me pergunto: e eu? Quais são as minhas "muletas"? Teria eu o direito de julgar quem quer que seja? Se eu conheço a pureza, a limpeza, sou capaz de me sujar! Deus exige muito mais de mim do que deles, pois eu conheço a felicidade, o amor puro e profundo da misericórdia divina, um pedacinho do paraíso, e não admite que eu me suje! Eu não tenho esse "direito"! 

Aqui em cima da montanha, eu sinto a pureza do ar, do perfume das flores, o silêncio da brisa, a ausência de ruídos, e sinto que Deus me quer ver assim também: simples, bondoso, casto, pobre, perfumado pelas virtudes.

São Paulo diz que somos o perfume de Cristo em 2ª Cor 2,15. Será que eu tenho sido realmente um perfume de Cristo para os que convivem comigo? 

Aqui meu olhar se dirige para tantos santos e santas que foram realmente o perfume de Cristo. Santa Teresa de Jesus e a de Lisieux, São João da Cruz, São João Batista, São João Maria Vianney, Santa Catarina Labouré, São Luiz Gonzaga, São Maximiano kolbe...


Não consigo, aqui, conter as lágrimas, ao pensar que não vivi até aqui uma vida santa, como a desses santos. Deus é tão bom para conosco! Quantas graças dele recebemos! mas até agora sou tão ingrato! Tanto quanto esses que têm as vidas vazias! "Que poderei retribuir ao Senhor por tudo aquilo que Ele me fez? Elevarei e tomarei o cálice de minha salvação, invocando o nome santo do Senhor!" (Salmo 115(116), 12-13).

O que significa isso?
Procurei na Bíblia de Jerusalém, depois que voltei da escalada, e vi que esse era um costume judeu, o de beber o cálice da bênção na liturgia judaica, e o comentário faz referência a 1 Cor 10,16: "O Cálice da bênção que abençoamos é a comunhão com o sangue de Cristo! O pão que partimos é a comunhão com o Corpo de Cristo!"

Entendi assim: o único modo de "pagarmos" o que Deus nos faz é lhe agradecermos pessoalmente e na liturgia, e de modo excelente na Santa Missa, ao comungarmos o Corpo e o Sangue de Cristo. E num coração puro, sem pecados, e misericordioso para com todos!

Volto novamente o meu pensamento para os meus irmãos de vidas vazias e me pergunto como Deus poderia "ganhá-los", morar no coração deles. Como poderia imitar aqui os meus irmãos evangélicos e sair em busca deles?

E mais uma vez me vejo contra a parede: quando vivi no meio deles, nada fiz para levar-lhes a vida eterna. Não sabia o que fazer. E lhes confesso, não sei ainda o que poderia fazer além de rezar por eles, para que se abram à voz de Deus.

Amar a Deus é tão somente deixar que Deus nos ame! É a única coisa que Deus nos pede: deixar que nos ame!

Deus é um amigo e um aliado poderoso! Se nós lhe abrirmos as portas, ele ceará conosco e ainda pagará a conta! (Apoc. 3,20).

Meditei ainda mais sobre esse assunto, tomei o lanche e voltei, à tarde, para a cabana. Amanhã vou embora, logo de manhã. É uma longa viagem até onde moro.

Estes dias que aqui passei, valeram muito! Agradeço a Deus por mais essa gentileza de sua bondade!

AS RIQUEZAS DAS CONGREGAÇÕES




Felicisimo Martinez Diez, em seu livro “Vida Religiosa”,ed. Paulus, fala que a pobreza dos membros de uma congregação religiosa leva à riqueza da instituição, ou seja, da congregação.

Ele lembra que devemos fazer como Jesus mandou, ou seja, ao vendermos tudo o que temos para segui-lo, devemos, em seguida, dar o dinheiro conseguido aos pobres.

Assim devem fazer também as congregações religiosas: não acumular bens e dinheiro mas, satisfeitas as necessidades próprias, partilhar o restante com os pobres, seguindo, assim, as palavras de Jesus.

Se não houver a partilha com os pobres, todo o capital passará ao mosteiro (à congregação) e logo este (esta) ficará rico (a): chegará pela porta de trás, o que se deixou na porta principal. Nos evangelhos, todas as vezes que Jesus falou na renúncia aos bens materiais, completou: “e dê o dinheiro aos pobres!”.

Também lembra que, como em 1ª Reis 19,19-21, a renúncia aos bens materiais não é um fim em si, não é a meta da perfeição, mas está em função do seguimento e da missão.

É bom termos sempre isso em mente! Caso contrário, a “emenda ficará pior do que o soneto”!

Se você, que se interessa por esse assunto desejar aprofundar o estudo maravilhoso que ele faz nesse seu livro, compre-o e leia-o!

Uma das coisas que ele fala no livro, por exemplo, é que entre as causas das crises das congregações estão o abandono da contemplação, da vida litúrgica comunitária e de um interesse aos pobres com amor.

AS PENAS DO ESCRITOR




Uma das "penas", ou seja, um dos problemas do escritor é o fato de ninguém conhece realmente ninguém. Eu mesmo já ensaiei várias vezes em escrever um romance, mas sempre me deparei com esse problema: tudo ou a maior parte do que eu escrever sobre alguém, é projeção minha. Talvez seus hábitos, falas, costumes, possam ser descritos e sobre eles eu possa refletir e comentar, mas... o que está por detrás do que ele diz ou faz? Se eu me arriscar a falar disso,será mero "achismo" meu, e não a realidade.


As aparências enganam, e muito. Veja as pessoas que vivem com você. Será que você as conhece de fato? Arriscaria dizer "sim"? O que você poderia falar da real afetividade delas? O que elas sentem? Como veem as coisas? Será que elas não estariam disfarçando bem seus sentimentos? O que elas dizem que sentem por você seria real?


Nunca vamos saber, a não ser quando uma delas colocar você em apuros, baseada em calúnias. Ou então quando é sua esposa e de repente você volta do trabalho e encontra um bilhete em cima da mesa, dizendo mais ou menos isto: "Adeus, querido. Fugi com o Wilson, o motorista do ônibus."


Seus filhos são umas "pérolas", você confia muito neles, até que sua filha aparece "ligeiramente" grávida, ou o seu filho telefona da cadeia, onde foi preso traficando drogas...


O contrário também é verdadeiro. Conheço pessoas aparentemente "nulas" e vazias, mas que por dentro são ótimas e capacitadas. Pode ser que seu filho ou sua filha pareçam mentalmente preguiçosos, mas tenham ótimas habilidades que você nem imaginava que as tivesse.


Pois é! O escritor cria os seus personagens à sua imagem e semelhança, ou no mínimo baseado em suas fantasias e frustrações pessoais. Lendo um romance, um bom psicólogo pode chegar a pelo menos alguns pontos da mentalidade do escritor. As personagens são suas "crias" e trazem muito das experiências que ele teve na vida. As atitudes externas das pessoas são conhecidas e registráveis, mas não as atitudes internas. Essas, só Deus conhece.


Só Deus poderia ser um escritor verdadeiro. Só Ele nos conhece plenamente. Mesmo uma autobiografia minha seria irreal, porque eu não me conheço plenamente e decerto eu manipularia muitos fatos que eu fosse transcrever, para mostrar a todos o que eu quero que eles pensem, ou, no melhor caso, eu escreveria o que eu falso ("vaidade das vaidades, tudo é vaidade", diz Ecl 1,2). Quantas autobiografias fazem sucesso por aí e são quase que completamente manipuladas!


Nós não conhecemos nem nós mesmos, nem os outros. Podemos escrever coisas maravilhosas, mas nunca vamos expressar a verdadeira verdade. Nossas "verdades" são não só limitadas, mas muitas vezes disfarçadas.


Tirar as máscaras de nossa vida, ao menos diante de Deus e de nós mesmos, já que isso é difícil fazer publicamente, é o primeiro passo para uma vida santa e feliz. A felicidade é incompatível com a mentira. Se você falar a verdade, pode até ser preso...

A PALAVRA ESVAZIADA


(17/04/15)

Costumamos usar de subterfúgios para mal entender a palavra do Senhor. Relutamos em dar explicações que nos deixem mais à vontade, sem precisar nos desinstalar de nossa vidinha tíbia e medíocre!

Já o profeta Jeremias admoestava os que pecavam, iam ao templo ofertar um animal a Deus e achar que estavam livres para retornarem ao pecado (confira Jeremias 7,1-11). Por que será que eu logo liguei isso com nossas confissões às vezes um tanto “fajutas”? Eu morro de vergonha quando tenho que confessar o mesmo pecado que da última confissão!

Um padre meu amigo sempre conta uma historinha: dois padres moravam em duas paróquias separadas por um grande rio. Uma vez por mês um deles ia até um ponto combinado e, de uma margem do rio, falava ao outro, na outra margem: “Padre Rui, eu fiz os mesmos pecados que da outra confissão!” O que estava ouvindo a confissão, após ter dado a absolvição, sem ouvir os pecados, gritava: “A sua penitência é a mesma que da outra vez”!

Quantas vezes confessamos os mesmos pecados?

Diz Lucas 14,33, depois da parábola do homem que começou a construir e não tinha como terminar, e a do rei que ia combater inimigos mas não tinha recurso suficiente para tanto: “Assim, quem não renunciar a tudo (=TUDO) o que tem, não pode ser meu discípulo”!

Pergunto:

1- Como entendemos essa frase?

2- Que mudanças ela implicaria em nossa vida, se for entendida como a lemos?

3- Segundo as duas parábolas concluídas por ela, é possível praticá-la sem a ajuda de Deus? Por que?

Quanto a mim, quero deixar bem claro que estou no mesmo “degrau da escada” que muitos de vocês: ainda não consegui levar essa frase de Jesus plenamente a sério.

Vamos rezar uns pelos outros para que um dia cheguemos a levar a sério, na prática de nossa vida, as orientações que Jesus nos dá! Sem “saídas estratégicas”!

A MÍDIA NOSSA DE CADA DIA



O que vos digo às escura, dizei-o à luz do dia: o que vos é dito aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados” (Mt 10,27).

Essa é a missão da Mídia: anunciar a todos tudo o que for bom para que o ser humano seja cada vez mais digno e feliz. A mídia é algo imprescindível nos dias de hoje. Sem ela, não há mundo atual nem mundo futuro.

Entretanto, tem havido muito abuso no uso dela. A mídia tem usado o seu poder por algumas pessoas gananciosas que querem lucrar a qualquer custo. Pessoas e entidades são desonradas e destruídas, em nome da liberdade de expressão.

A mídia explora os instintos mais básicos do ser humano em vista do lucro, possivelmente o mais fácil possível.

O escândalo é o prato cheio dela. As honras são massacradas como a gente mata uma barata. Não se pensa nas consequências, que às vezes são mais drásticas do que o mal cujo término pretendia-se executar.

Conheço, por exemplo, várias pessoas presas que são completamente inocentes. Estão na prisão por pura calúnia e processo mal defendido. Qualquer mulher, atualmente, pode colocar um homem na prisão, acusando-o falsamente. Não se exige provas para a prisão, em muitos dos casos.

Um amigo meu foi acusado pela esposa, que estava com raiva dele, e foi preso. Ela se arrependeu e pesquisou o que poderia fazer: se voltasse atrás e desmentisse, ela é que iria presa. Final da história: ele precisou se conformar com a besteira feita e visitava o marido em todos os dias de visita. Ele a perdoou, pois não tinha mais ninguém a quem recorrer.

Mesmo quando alguém é inocentado, a honra dessa pessoa fica manchada pelo restante de sua vida. Um outro amigo meu foi difamado pelo programa “Linha direta” da Tevê Globo, como assassino: um programa todo. Um ano e três meses depois ele foi absolvido. A Globo gastou três minutos para anunciar: “Fulano foi absolvido”. Quem viu isso? E quantos não se lembravam do programa difamador?

Nesta semana estamos em pleno “BBB”. O escritor e cronista Luís Fernando Veríssimo comentou, num artigo do ano passado:

“Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.”

E comenta um cálculo feito por um radialista, de que a Globo arrecada mais de oito milhões de reais nessa “brincadeira”, só das ligações telefônicas dos telespectadores. É o preço de 500 casas populares ou mais de 5000 computadores (comenta Veríssimo).

Outro problema da Mídia é a falsidade das propagandas. Certa vez eu vi um anúncio de sabão em pó, falando sobre a brancura de um enorme lençol sujo, lavado com aquele sabão. Eu via umas letrinhas apressadas correndo na parte inferior da tela. Gravei, pausei e li: “Este resultado se obtêm após onze lavagens”.

Em busca da audiência, mentiras são forjadas, frases adulteradas, pessoas esmagadas. A mídia tem um poder imenso e pode dirigir a opinião pública ao patamar (ou ao lodo?) a que desejar. Quantas das coisas que você usa você realmente necessita para viver? Pense um pouco! Reflita! Busque em sua vida, ao seu redor, do que você realmente precisa, e verá que são poucas coisas.

Os pais da Igreja que viveram no deserto, como Santo Antão e S. Paulo do Egito viveram no deserto, quase sem nada, a vida toda, ou quase a vida toda, e morreram centenários! Sto. Antão morreu com 104 anos e o outro com 112! Este último, morava numa gruta.

Muitos sempre acreditam no que a mídia diz, quando se refere aos outros. Ou seja: quando a mídia fala dos outros, ela fala a verdade. Quando fala da própria pessoa sempre mente, pois a pessoa conhece sua vida e sabe que é mentira.

Caiamos na real e percebamos quantas coisas há nas publicações vistas diariamente que não correspondem à verdade, ou no mínimo são exageradas e desprovidas de fundamento.

Vejo pessoas dignas terem seus nomes conspurcados por mentiras e falsidades; tudo com vistas no Ibope e no lucro fácil.

Amigos (as), a liberdade começa no “Ter-se em mãos” , como dizia Kant, no autodomínio, no autocontrole das próprias necessidades. Ser livre é saber controlar os próprios desejos e opções.

A mídia deve ser usada segundo as palavras de Jesus ditas no início: anunciando “Por cima dos telhados” tudo o que dignifica o ser humano.