domingo, 21 de maio de 2017

ADÁGIO DE ALBINONI

                         


(Leia a historinha ouvindo o famoso "Adágio de Albinoni", com órgão e orquestra, gravado numa igreja da Hungria. Há no decorrer da música algumas propagandas, até inconvenientes, mas clique no lugar adequado que elas desaparecem). 

Julho do início da década de 90. Campos do Jordão. Teatro do Palácio do 
Governo. O frio ficou fora desse templo da música. Lotação completa. Todos bem vestidos, com belos casacos. O perfume das mulheres e o das flores dos jardins que circundam o teatro disputam nosso olfato, mas acabam se entendendo e nós os sentimos todos. Silêncio. Começa o Adágio de Albinoni, com órgão, violino e orquestra.

A orquestra começa a música. A música, a poesia,o romance, enfim, o belo, sob todos os aspectos (visual, olfativo e auditivo) invadem o ar e nos aglutina. O espírito se eleva às alturas! Há duas orquestras: a do palco e a de todos esses instrumentos que mencionei: vestes, perfumes, clima, beleza do local, que se harmonizam entre si de forma praticamente maravilhosa, bela e sublime.
A orquestra de cá se une à orquestra de lá e minhas lágrimas arrematam o enlace, como a calda deliciosa de chocolate que se esparrama pelo bolo já saboroso.

O violino faz o solo. O órgão o responde, seguindo seus passos. O violino se anima e ergue sua voz, em vários outros compassos. O órgão se emociona e completa a harmonia iniciada pelo violino, até chegarem os dois a um clímax musical que em que se completam e se fundem. Entra a orquestra, como os jogadores que carregam nos ombros dois colegas que fizeram virar o jogo!

A natureza não se contém e uma chuva fria sussurra um acorde externo, como se fosse uma redoma de vidro a salvaguardar toda essa harmonia.

A música termina, mas ninguém quer sair do lugar. Eu me arranco da poltrona e, a contragosto, me obrigo a sair e, com meus colegas, voltar para a desarmonia da artificialidade e marasmo do nosso dia a dia.

O belo da arte nos leva a Deus, o Criador de todas as possibilidades de harmonias que possam existir.

Se as criaturas são tão belas, se podemos criar tantas harmonias, como as dessa música , se há tanta beleza na natureza, que se dirá do Criador disso tudo?! Deus é tão completo e maravilhoso, com tanta harmonia e beleza, que tudo o que há de mais belo no universo não consegue exprimir nem um só átimo de sua existência e de sua magnificência, santidade, luminosidade.

Se Deus fosse feito de átomos como nós um só átomo de sua luz daria para iluminar o universo todo, como numa visão que S. João Bosco teve. Esse átimo de luz que ele viu o deixou semi-cego por uma semana!

Se eu falasse aqui que Deus não é só luz; que Ele é também amor, beleza, harmonia, perfume, frescor de uma chuva, alegria de um acorde infinito, e tudo o que não consigo expressar aqui, eu estaria sendo muito injusto, pois não há como comparar Deus com qualquer dessas coisas! Tudo o que existe foi criado por Ele, que está infinitamente distante de ser qualquer coisa dessas! Deus não é nada disso! Deus é Deus, e tanto o belo da arte ou de qualquer outra coisa que existe, nos dá apenas uma mísera, pálida, insignificante ideia do que poderemos contemplar, um dia, se formos recebidos no Reino dos Céus.

O convite já está feito! Desde antes que o mundo existisse, Deus já nos havia chamado para vivermos com Ele no Paraíso. Cabe apenas a nós aceitarmos o convite, procurando, humildemente, colocar-nos diante dele, em súplica, pedindo-lhe que Ele nos livre de nós mesmos, do pecado, e do terrível mal que seria abandoná-lo.

Ele já nos garantiu que nunca vai nos abandonar. Se houver alguma desistência, será por nossa conta. “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir-me a porta, eu cearei com ele e ele comigo” (Apoc 3,20)

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